ainda sem titulo

A chuva açoitava a porta de vidro da cozinha. Mais um dia frio. Não eram assim os dias que tinha imaginado quando comprara o terreno e me instalara na pequena casa. O rio que sabia ao fundo do vale não o conseguia avistar e do sol que devia estar a pique no céu, nem rasto, havia apenas uma claridade desfocada em tons cinza.
Fiz o segundo café do dia e encostei-me na aduela da porta, espreitando para fora do meu refugio com cheiro a fumeiro. Tinha o café quase bebido quando vi o carro a subir a ladeira lamacenta que dava para a minha casa. Quem se teria atrevido a desafiar o temporal e a lama, perguntava-me, eu própria não descia à aldeia há mais de três dias e não tinha qualquer intenção de o fazer antes que o tempo melhorasse.
A estrada terminava ali, bem na frente do meu alpendre e nos meses que decorreram entre a minha chegada e aquele dia, apenas dois carros além do meu a tinham percorrido, o primeiro fora a carrinha das mudanças e o outro, o de um casal de jovens que em busca de um local isolado ignorou o aviso de propriedade privada.
O ronco esforçado do motor parou e um homem alto na casa dos quarentas saiu lá de dentro envergando um impermeável.
Vesti o sobretudo, coloquei a mão direita dentro da algibeira e saí para o frio do alpendre ao seu encontro.
“Está perdido?”

Comentários (7)

sem contos

Não, não parti, mas tenho as mãos cheias de nada. Estou sem contos, mas com um sem fim de confissões. Será provavelmente por lá, na minha primeira casa que poderão saber de mim, se assim o desejarem. No contudo, continuarei a debitar a minha estupidez natural de vez em quando, com a irregularidade característica que aquele espaço sempre teve e por aqui… certamente regressarão os contos, quando os houver, amanhã, na próxima semana, no próximo mês ou no próximo ano… não sei, nem acho importante sabê-lo.

 

Deixo-vos uma musica, um obrigada e um até já…

 

Beijos.

Marta

 

Comentários (12)

vou contigo

Hoje roubo-te estas palavras…

Vou…


“Hoje vou… parto.

Vou para lá…
Não sei bem para onde…
Mas vou… quero ir…

Vou andando… Caminhando.
Vou tranquilamente,
Não existem pressas…
Mas vou… quero ir…

Olho para o lado…
Não vou sozinha…. Sorrio.
Sigo contigo….
E vou… quero ir…

A estrada é longa…
É sinuosa…
Mas não me assusta… vou.

Vou… porque quero ir…”

                                                Cátia Azenha

…e  repito as mesmas que te disse na altura, iguais, mas agora com uma voz mais firme, com a certeza de que será como te disse e ainda um pouco mais.

Vejo-te ir… apresso o passo para te alcançar, para te acompanhar, mas detenho-me antes que me vejas… vou contigo, mas não te influenciarei no caminho, vou simplesmente aqui… a dois passos, pronta a socorrer-te na tua viagem…
Vai… caminha, escolhe caminhos, descobre atalhos, percebe que por vezes a recta é tua inimiga, aprende a voltar atrás a mudar de rumo… torna-te grande… maior!

Na verdade estás a ir rumo ao futuro, maior que tu mesma, acertando o passo, tornando-o firme e confiante… e eu vou aqui, um pouco mais atrás cheia de orgulho. É a minha menina, aquela que ficou família.

De vez em quando acelero o passo, pavoneio-me e ultrapasso-te enquanto te mostro a língua. Um pequeno carinho. Mas logo perco o folgo, desacelero, trocamos dois dedos de conversa lado a lado, partilhamos uma gargalhada e fico para trás. Preciso também do silêncio. E continuo aqui, apenas dois passos atrás, porque sempre que me sentes a ficar sem fôlego alivias a tua marcha, esperas por mim, sem parares, porque sabes que é assim que prefiro. E eu sinto-me segura, ganho ânimo, pernas e pulmão e estou pronta a correr mais e melhor.

Tu já sabes este meu jeito de te acompanhar e este ano faremos uma maratona, juntas!

Se ela fizesse anos hoje, eu dava-lhe os parabéns, mas dizem-me que não é dia 24…

Comentários (70)

será que hoje é 24?

nahhhhhhh

;)

Comentários fechados

desafio aos sonhos

A Orquídea , do blogue Nascidos do Mar lançou o desafio, e como o tema são sonhos e eu sou uma sonhadora aceitei.

As regras são:

1. Escrever uma lista com 8 coisas que sonho fazer ou com as quais sonhe;
2. Convidar 8 bloguistas a responder ao mesmo;
3. Comentar no blog de quem partiu o desafio;
4. Comentar no blog de quem desafiamos;
5. Mencionar as regras.

8 coisas que sonho fazer em 2009, acrescentei o 2009 às regras e fico-me pelo que posso ao menos tentar fazer, porque me parece que dado que estamos no inicio do ano…

1. Comprar aquela casa;
2. Vender a minha casa e ganhar dinheiro com o negócio;
3. Conseguir encontrar uma solução para a minha estabilidade financeira e profissional;
4. Manter acesa a chama, aquela que aquece o inverno frio e até reavivá-la;
5. Viajar;
6. Morder a língua de cada vez que destilar um bocadinho de veneno… não é pela esperança de ser boazinha depois dos 30 é apenas porque me dava jeito a imunidade;
7. Escrever. Mais e acima de tudo melhor que em 2008 que foi um ano medíocre;
8. Arriscar!

E esta seria a fase em que convidaria 8 bloguistas a fazerem a sua lista, seria… se o fosse fazer, mas não vou, desculpe Orquídea, é apenas a minha dificuldade em seguir regras…
E… pronto, podem dizer que eu fui materialista e até podem ter razão, mas eu posso é não querer saber disso, este ano quero continuar a não ser hipócrita! ;)

Comentários (41)

… a você

É trapalhão, é baralhado e tem a capacidade de me tirar do sério com as suas tretas, porque sim, a esmagadora maioria são tretas, ele sabe, ele sabe que eu sei, ele sabe que nós sabemos. Mas ele também sabe, ou pelo menos eu espero que ele saiba que além dos exageros, que também me diverte e que é um amigo. Foi o meu primeiro visitante nestas lides da blogosfera já vai para mais de dois anos e não só continua por cá, como já cozinhei para ele e isso diz muito. Se não é mentira que por vezes tenho vontade de lhe dar uns estalos a ver se cresce sem ser em tamanho, não é menos verdade que por vezes é um querido. Para mim, ser amigo de alguém é também isto, dar-lhe nas orelhas porque ele merece, e neste caso se merece, não é verdade? Mas dizer-lhe que estou cá, que me lembrei deste dia e que lhe desejo as maiores felicidades. Mesmo!!!

Fontez, deixo-te uma musica, é velhinha, não é a mais apropriada ao momento, mas… é diferente. Este meu post também é diferente, uma forma diferente de te dizer parabéns!

Comentários (15)

tempo de mudar

Acho que estou apaixonada. Desde que a vi não penso noutra coisa. Não porque seja perfeita, mas porque a senti especial, apelativa. Tenho vontade de a chamar de minha e de me trancar nela.
Não é o meu primeiro amor é certo. Nem me fará nunca esquecer a que o foi. Essa terá sempre o seu lugar especial em mim, mas sinto que é hora de nos separarmos e de eu seguir em frente. É tempo de mudar. Nem é tanto pelo facto de ela estar velha, é o não me fazer vibrar como em tempos o fez. Toda a rotina de quase dez anos em comum me aborrece profundamente e acima de tudo sinto-me estagnada, parada no tempo. Sei que posso ser mal interpretada ao dizer isto, parece cruel, como se a visse de uma forma absolutamente descartável e não é esse o caso. Fomos felizes as duas, protegeu-me, foi importante, fundamental, inesquecível, sem ela não seria o que sou hoje, ensinou-me a crescer e eu atrevo-me a dizer que fez um bom trabalho, estou-lhe grata por isso e por isso mesmo nunca deixarei de a amar um bocadinho, mas está na altura de tentar outros voos, outros desafios. Sim, sim, parece cruel, mas sejamos francos, não o sentimos todos já em determinada altura das nossas vidas?

Comentários (9)

noções de tempo

Foi um acaso, se há acasos, que nos levou àquela sala, naquele dia, naquela hora. Vivíamos na mesma cidade, mas não nos encontrávamos há mais de quatro anos.
Quando levantei os olhos das letras pequeninas no visor do telemóvel, lá estava ele armado de sorriso rasgado a olhar-me.
“Olá!”
À minha falta de palavras, ele continuou.
“Que bom ver-te. Como estás?”
“Bem.”
– Consegui pronunciar face à surpresa. A minha inquietação contrastava com a sua serenidade.
Foi um acaso, se há acasos, que complicou todo o serviço e nos deixou à espera por largas horas, que eu ansiava para que não terminassem nunca. Achei-o perfeito. Falou-me de si, perguntou-me por mim, sorriu, riu… Não lhe vi brancas, nada de barriga, estava igual, deslumbrante. Eu estava mais velha. Ele… parecia só apreciar miúdas…
“Uma mulher ia fazer-te bem.” – pensei.
Ele sorria. Sorria e falava como se fossemos velhos amigos, mas nunca o tínhamos sido. Nem namorados, nem amantes, nem amigos. Não tínhamos sido nada um ao outro, por mais que em diferentes alturas o tivéssemos querido.
Foi um acaso, se há acasos, que me levou a ter gato e ele cão. Que estavam presentes, naquela sala, a medirem-se tal como os donos.

“Amaste-me demasiado cedo!” – Repito-lhe em tom de provocação até hoje, dando voz ao murmúrio que soltei sem querer naquele dia e recebo sempre como resposta a mesma frase.
“Não… tu é que quase me amaste demasiado tarde!”

Comentários (24)

primeiro post do ano

2008 acabou igual a si mesmo, uma porcaria, mas acabou o que por si só me parece uma grande alegria.
Não vou fazer um balanço, vou falar dos porquês de ao longo do ano passado ter desaparecido por várias vezes. Além dos achaques de humor comuns a qualquer ano, 2008 foi rico em motivos para me apetecer, ou ter que desaparecer. Não estou a queixar-me, estou simplesmente a constatar, até porque eu sobrevivi-lhe, não foi assim com todos os que convivia diariamente.
Aquelas coisas que costumamos pedir pelo ano novo, como a saúde, o amor, a paz, o dinheiro… falhou tudo em 2008, directamente comigo e/ou com os que me são muito próximos. Foi dos piores anos de sempre. Deixou marcas.
É claro que não terminaram todos os problemas só porque terminou o ano. Na verdade nenhum terminou, transitaram todos para 2009, mas agrada-me esta possibilidade, estas páginas em aberto. Agrada-me este refresh. Não depende apenas de mim, mas depende também e principalmente de mim. Aceitar o que não tem remédio e não remediar o que tem, mas sim curar.
Para 2009 quero força. Para 2009 quero saber acreditar. Para 2009 quero aquela pontinha de sorte que me tem escapado. Mas principalmente quero sobreviver-lhe. Quero daqui por um ano dizer que todos os que me são importantes sobreviveram.

Um bom ano para todos!

Beijo
Marta

Nota: vou fechar os comentários deste post, desculpem. Mas sabem o que é? Precisava pôr algumas palavras por escrito, mas não quero falar delas… quero só deixá-las atrás das costas, tal como 2008!

Comentários fechados

a propósito do Natal

Nem sei bem por onde começar… ora vamos lá ver.
Obrigada pelos votos de feliz Natal que me fizeram chegar. Através do blogue, pelo mail, pelo msn e também por telefone. Obrigada.
Obrigada e desculpem. Esperava enviar-vos um mail, e tentei fazê-lo, acontece que como sempre deixei para a última hora, mea culpa, e da santa terrinha a minha net móvel estava, como colocar isto… uma merda! Resultado, não houve mail para ninguém. De alguns tenho o número de tlm, esses ainda receberam a mensagem da praxe nestas alturas, os outros, simplesmente pensaram que eu sou uma besta, o que não anda de todo longe da verdade!
Bem, apresentadas as desculpas passemos ao assunto seguinte. O tal do espirito natalício que andava em parte incerta. O tal que eu não sabia onde encontrar e muito menos tinha vontade de andar à procura. Foi como tinha que ser, não o procurei, ele chegou pelo correio na quarta-feira de manhã, no momento exacto para que eu o levasse comigo até aos meus Alentejos.
Foi só no momento em que o vi, que me lembrei que ao longo do ano o tinha enviado em pequenos pedaços para Moçambique. O destinatário foi o “meu José” de que vos falei há muito tempo. Na quarta-feira, recebi-o de volta na forma de uma fotografia. Não sei colocar em palavras, Como dizia a carta do animador, é tempo de saber da família e é assim que eu o sinto, família. Nunca o vi, nunca o ouvi, nunca lhe senti o abraço, por mais que eu tente imaginar-lhe a realidade ficarei sempre aquém, por mais “pequenos Josés” que descreva, nunca o conseguirei. Mas sinto-o família! Sinto-me responsável. E mais importante, porque eu tenho esta coisa egoísta que vive em mim, sinto-me útil e sinto-me bem. Não é propriamente uma troca, não, eu recebo mais, muito mais. Nem sei sequer se o faço por alguém a não ser por mim, julgo que não, mas também não sei se isso importa.
Pode não ser assim com todas as pessoas, mas eu muitas vezes quando olho para trás vejo apenas uma sucessão de erros. Um percurso enrolado. Na quarta-feira, ao olhar aqueles olhos grandes e lindos, mas tristes, fiquei feliz. Fiquei, porque pela primeira vez junto à fotografia e ao desenho vinham umas garatujas que diziam “Feliz Natal”. Fiquei feliz, porque como todos às vezes erro, mas outras vezes acerto. Natal é isso não é? Uma questão de atitude, não uma data…
Apesar de ter adorado a boína que me deram, ou não fosse eu louca por chapéus, esta carta, foi o meu melhor presente. Não estou a ser hipócrita nem politicamente correcta, ela plantou-me um sorriso, encheu-me de orgulho e salvou o meu humor. Podem até dizer-me  ”Ah mas o orgulho não é um sentimento digno do Natal”…  mas aí eu vou ter que responder “e eu com isso? O meu orgulho é muito menos feroz que certas mensagens de Natal”… pronto… não resisti a esta deixar esta pequena dose de veneno!  :?

 

(Para quem é novo por cá, para que entenda de quem falo, pode ver este e este post. Trata-se de um apadrinhamento à distância, na altura através da CCS Portugal, que em Janeiro de 2008 passou a Helpo. )

Comentários (10)

Posts Mais Antigos »