Começaram por ser detalhes repetidos todos os dias, apenas isso. Pequenos nadas que devo confessar, sempre apreciei. Um certo mistério, um andar dengoso, um bater de pestanas, uma ou outra palavra mágica embrulhada em batom.
Sem que desse por isso, acordar tornou-se fácil a cada manhã na expectativa de a voltar a encontrar. O primeiro café que durante anos foi apenas mais um vicio, transformou-se como num passe de mágica no melhor do meu dia.
Ao balcão comprido lá estava ela deslumbrante, à hora que eu sentia marcada… daí a partilharmos a mesa do fundo foi simples, tão simples que nunca me questionei. Foi o que tinha que ser. Há coisas assim sabem? Com a simplicidade de um sorriso e um embriagante emaranhado de sentimentos.
Começámos por partilhar um café e agora partilhamos uma vida. Passaram-se entretanto seis anos. Ela? Continua a ser um mistério que vou desvendando a cada manhã.
E apesar de preferir a palavra feiticeira, não posso dizer em boa verdade que discordo da minha mãe quando ela me diz:
“A tua namorada é uma bruxa!”
O texto nasce da ideia plantada aqui.
