Foi um acaso, se há acasos, que nos levou àquela sala, naquele dia, naquela hora. Vivíamos na mesma cidade, mas não nos encontrávamos há mais de quatro anos.
Quando levantei os olhos das letras pequeninas no visor do telemóvel, lá estava ele armado de sorriso rasgado a olhar-me.
“Olá!”
À minha falta de palavras, ele continuou.
“Que bom ver-te. Como estás?”
“Bem.” – Consegui pronunciar face à surpresa. A minha inquietação contrastava com a sua serenidade.
Foi um acaso, se há acasos, que complicou todo o serviço e nos deixou à espera por largas horas, que eu ansiava para que não terminassem nunca. Achei-o perfeito. Falou-me de si, perguntou-me por mim, sorriu, riu… Não lhe vi brancas, nada de barriga, estava igual, deslumbrante. Eu estava mais velha. Ele… parecia só apreciar miúdas…
“Uma mulher ia fazer-te bem.” – pensei.
Ele sorria. Sorria e falava como se fossemos velhos amigos, mas nunca o tínhamos sido. Nem namorados, nem amantes, nem amigos. Não tínhamos sido nada um ao outro, por mais que em diferentes alturas o tivéssemos querido.
Foi um acaso, se há acasos, que me levou a ter gato e ele cão. Que estavam presentes, naquela sala, a medirem-se tal como os donos.
“Amaste-me demasiado cedo!” – Repito-lhe em tom de provocação até hoje, dando voz ao murmúrio que soltei sem querer naquele dia e recebo sempre como resposta a mesma frase.
“Não… tu é que quase me amaste demasiado tarde!”
orquídea disse
“se há acasos”.
)
Pelos vistos também por aqui os “acasos” são difíceis de engolir..
Beijo.
Marta disse
Orquídea,
Deixe que lhe confesse isto. Como estou muito destreinada de escrever e não tenho tido ideia nenhuma, acabei por me lembrar das suas dúvidas sobre os acasos.
Eu acho que não os há, senão eu não tinha escrito este post, pelo menos não assim. (aqui entre nós talvez fosse melhor, que o pobrezinho está assim a modos que sem ponta por onde se lhe pegue, mas pronto, é uma tentativa de ganhar prática outra vez).
Mas voltando aos acasos não existem e alguma razão há certamente para as caganitas das ovelhas serem redondas, já se é a apresentada…
Beijo.
Fa - disse
Esplêndido!
Que nunca seja demasiado tarde!
Beijos
Marta disse
Fa,
Ui, isso parece-me um grande exagero!
Mas obrigada.
Beijinhos!
Cátia disse
Desencontros… Isto de amar e ser amado, tem mt que se lhe diga, nao? É mesmo preciso haver aquele “encontro” no tempo…
Estou sem grande inspiraçao, voltarei. É bom ter-te por perto.
Beijocas primota
Marta disse
Cátia,
Nesse caso, “estêmos”!!!
Mas é bom estar de volta!
Beijo grande primota!
Cris disse
Amar demasiado cedo, quase ser amada, amar e não ser amada, ser amada e não amar… Porra, fiquei deprimida…
Marta disse
Cris,
Mas olha que aqui o problema era o tempo de cada um deles. Que no fim se resolveu, embora ficassem gato e cão, mas nada é mesmo cor-de-rosa…
abraço!
Sininho disse
Ps.: Escreve mais vezes
Marta disse
Sininho,
Eu até queria escrever mais… mas não sei o quê…
Ando muito blhacccc.
Beijinhos!
Jorge Soares disse
Olá Marta
Estou como a Sininho (isto anda a acontecer muito!) cada vez sou mais fã.
Nunca é tarde nem cedo para amar, porque o tempo de amar é sempre.
beijinho
Jorge
Marta disse
Jorge,
Sim, é sempre tempo de amar, mas por vezes esse amar vem desfasado do amar do outro. Porque como tudo na vida há sempre um principio, um meio e um fim. Em certos casos o fim de um chega antes do inicio do outro e então fica demasiado cedo ou demasiado tarde.
Beijinhos e obrigada!
Cem disse
os “acasos” são como as gripes, há uma época própria para surgirem…
Beijo grande
Marta disse
Cem,
Acha?
Nesse caso tal como as gripes, os “acasos” fora de tempo devem ser ainda mais perigosos…
Bem Vindo(a).
Cem disse
ui!!
esses então equiparam-se a pneumonias!
Beijinho
Marta disse
Cem,
Este texto é gripe ou pneumonia?!
bj
pelas alminhas disse
OLA AQUI ESTOU EU BRISE CONTINUO…
UM XII
Marta disse
Pelas alminhas,
LOL
Não me diga que eu ando aqui com cheiros embirrantes.
É um prazer vê-la!
xii
pelas alminhas disse
que va
dando um ar fresco aos amores….
Marta disse
pois, isso é verdade, estão a ficar muito bafientos.
Cem disse
Seja o que fôr, o melhor mesmo é prevenir e ires vacinar-te!
Que isto de vírus nunca se sabe!
orquídea disse
Marta, as confissões não são ali ao lado?…
Sem me estar a armar, coisa que até faço assim de vez em quando, foi o que me pareceu…
Isto cada um vai se inspirando no que encontra e no que a si faz eco. Poucas coisas estão para ser inventadas.
Boas escritas.
Marta disse
Orquídea,
As confissões em tempos foram lá do outro lado, agora estou menos disciplinada e já me confesso em qualquer lado, se é que me confesso mesmo!
Acho que sim, não se trata de inventar, trata-se de dar a nossa versão, o nosso eco. Ou de simplesmente inventarmos a versão ou o eco.
Boa semana!
Marta disse
Cem,
Sempre que posso, prefiro evitar medicamentos.
Boa semana!