“Como vais minha querida?”
Leio a mensagem e esboço um ligeiro sorriso, sei o que vem a seguir. Conhecemo-nos bem, mas é sempre uma descoberta, um desafio, um pedaço de loucura, um prazer… tudo se iniciou há tanto tempo que bem podia ter começado com o clássico era uma vez.
Não sei precisar o ano, mas posso garantir-vos que é algo do século passado, se bem que na altura, segundo ele, ainda fazíamos parte do escalão dos infantis e não sabíamos que íamos chegar a prós no jogo. Já eu, considero que éramos juvenis, ignorantes é certo, mas não completamente ingénuos. O curioso, ou talvez não, visto que estivemos sempre fora de tempo, é que em tantos anos nunca tivemos uma relação e nunca o tentámos sequer, se o tivéssemos feito teríamos certamente estragado tudo. O nosso segredo tem sido a moderação com que nos degustamos, estamos um perante o outro como uma iguaria rara, algo a que podemos aspirar apenas algumas vezes, poucas, sem nunca sabermos qual delas será a derradeira.
O bom em nós, se há um “nós”, é vivermos os dias em que os nossos caminhos distantes se cruzam, absorvermos essas horas como se simplesmente fosse acabar o mundo, é partilhamos os corpos, recordando-lhes os traços, os sabores… é podermos somente beber um vinho sentados no chão, enredados, e fazermos dessa uma experiência arrojada, sensual… é no dia seguinte sem promessas nem dramas seguirmos os caminhos distintos que sempre percorremos, porque o mundo não acabou.
O bom em nós, porque sim, há um “nós”, é o fantasiarmos que em qualquer momento poderemos cruzar-nos novamente e inventar um novo fim de mundo só nosso.
O bom em nós, disse-lhe em tempos, é a…
“… vontade.”
“… muita… incontrolável.”
“… não… incontornável!”
O bom em nós, é adivinhar lá pela sexagésima mensagem, o momento em que nenhum dos dois pode esperar por muito mais tempo.
“Diz-me. Estás sozinha, esta noite?”
“Não… espero que não…”
fontez disse
“e tás sozinha?
deprimida?…
tás!”
Marta disse
Fontez,
Não estou sozinha!!!
Espero não estar deprimida, mas isso já não o posso garantir…
Mas este texto não fala deste meu momento, se o fizesse eu tê-lo-ia colocado no confesso. Este texto deixou-me contente, porque me apetecia escrever há muito tempo e não estava fácil.
Beijinhos!
im disse
Essa não obrigatoriedade é dificil de estabelecer…
Beijos
Marta disse
Im,
Fora dos contos eu chamar-lhe-ia quase impossível, a não ser que ao cocktail acrescentássemos a culpa ou a falta de escrúpulos…
Bem vinda.
Beijos!
Cris disse
Hum,
este post fez-me sonhar com algo…
não não é um Ferrero Rocher, mas algo tão delicioso quanto o bombom. Será que devo tentar uma mensagem do género?
Marta disse
Cris,
Ora bem, eu não sei se percebi o teu comment, mas se há em ti alguma história identica a esta “minha vontade”, porque não a deverias degustar por estas alturas? Acho que o inicio do tempo frio é sempre uma altura de grande potencial!
Beijocas!
Cátia disse
Existe uma vontade, um querer… Um querer intenso, louco, sem medidas ou fronteiras. Não existe um compromisso, a rotina… a obrigação. Existe apenas a loucura do querer. Existe a cumplicidade dos anos, a parceria, o conhecimento que poucos têm, o sorriso, a verdade crua porque nao existe… lá está… o compromisso, as expectativas. Sabe-se o que se é, e se é, é porque se quer… Pode-se nao estar, mas quando se está… quer-se!
Beijos primota
Marta disse
Cátia,
Sim, é a não obrigação, é a ausencia de rotina, é tudo isso que diseste.
Julgo eu, que é também raro ter alguém assim, conseguir conviver com isso sem exigir, sem confundir as coisas.
Beijocas!
bruno disse
e se eu te disser que adoro quando escreves e que me gustas mucho!!!
e bom quando algo nos excita…
Marta disse
Bruno,
E eu a achar que isso do excitar-te tinha sido noutros tempos!