Ciclone

O primeiro calafrio surge antes, bem antes, como prenuncio do ciclone que se avizinha, invisível. Apresso-me a proteger as janelas, abro canais para escoar a água e finalmente tranco-me me casa… depois é só esperar, na agonia da incerteza da sua intensidade. Agarro um agasalho e tento acreditar numa tempestade ligeira. Preciso que seja ligeira.

Concentro-me nos seus sons à chegada, estudo-a, não sei ainda a intensidade, mas o seu rugido confirma o que temia… ameaça-me… ameaça o que é meu! Tento manter a calma e fico atenta às primeiras investidas. 

Agora sou só eu a defender a casa… a solidão apoderou-se de mim faz tempo. Com a chegada da noite aumenta o meu cansaço. A água teima em entrar pela frincha da porta, o vento ameaça com fúria os vidros protegidos pela madeira tosca pregada às pressas.

Não posso dormir, a correria frenética esgota-me, mas não posso dormir. Morre-me na garganta um grito, não adianta, ninguém o ouvirá! Esta casa é tudo o que tenho. Não posso ceder à vontade de cair por terra, de adormecer…

Talvez um dia… talvez um dia, perca o medo da água, e nesse dia poderei ficar longe do mar!

23 thoughts on “Ciclone

  1. É sempre com enorme satisfação que te leio, Martinha!
    Fazes-me pensar!
    Que ciclone será esse tão ameaçador?!
    Às vezes precisamos mesmo de ciclones que nos desinstalem, tão habituados que estamos ao nosso comodismo.
    “ninguém ouvirá”?! Acho que encontramos sempre meios de nos fazer ouvir. E Alguém ouvirá, sim!

    Beijinhos de um bom dia, querida!

    Fa-

  2. Fa,

    Obrigada!
    Que ciclone será este?🙂 Nem sei bem, tenho sido fustigada por tantos ultimamente que me perco… talvez o mais recente, o que ainda não conheço a intensidade… ou talvez apenas “conte aqui” uma estória!😉

    Um bom dia tb!

    Beijinhos!

  3. Ola linda,

    Temos que saber protegermo-nos e proteger o que é nosso… Se não o fizermos, ninguém o fará!! Faltam as forças?? Pois é… mas é nessas alturas que mais precisamos delas. E é nesses momentos que temos que as ir buscar, sabe lá Deus onde… Mas acabam sempre por vir. O cansaço é muito, e não vale a pena gritar… Mas a luta continuará e a certeza que no final a guerra será ganha. Fica a experiencia para o proximo ciclone e se calhar no próximo estarás mais provenida… ou talvez nao… Mas saberás como pregar melhor as madeiras toscas e sabes como entra a água pelas frinchas… Cada ciclone é uma mais valia na tua experiência para o próximo!

    Mas sabes… acredito que não é preciso lutar sempre sozinho… Que se puderá sempre convidar alguém para ir passar uns dias, uns momentos, uma vida junto ao mar…

    E só pessoas arriscada e de coraçao aberto como tu, é que se mantêm junto do mar quando o medo mais profundo é de água.

    Beijinhos grandes e um abraço desta que te ajudará a lutar

  4. O melhor nestas alturas é deixar que ele passe.
    Não há nada a fazer mesmo, a n ser que queiras bater no ciclone😛

    Mas olha como existe o ciclone, existe também a queimadura provocada pelo sol. E essa demorar mais tempo a cicatrizar. É dolorosa. É ruim. Sensivel ao toque…
    Quem não sofreu já uma queimadura do sol? Toda a gente. Umas mais ligeiras que outras, porque o sol não provoca o mesmo estrago em todas as peles.
    Eu própria passei por uma sim. E tive que esperar. Esperar até que a queimadura passasse. Até que a dor desaparecesse. Até morrer de vontade de vestir o biquíni e correr para a praia novamente. Prometi para mim mesma que desta vez ficaria a sombra, com chapéu, óculos e protetor solar 50. Mas sabes bem como é, há dias em que o mar é insuportavelmente convidativo. E nesses dias não há como não resistir.
    Essas forças da natureza quando resolvem ser más, são o caos, mas quando a leveza paira sobre elas são tão tão saborosas!😉

    beijinhos!

  5. Cátia,
    🙂 pois, temos mesmo que proteger, mas sabes, o que sinto em alguns casos é que o que faço só piora o mau tempo.
    Se ganharei a guerra… sim concerteza… com ou sem casa no fim do temporal, eu ficarei viva, logo com uma vitória. Adiantando ou não, tlv berre e espernei… apenas para descomprimir, nos intervalos, nos períodos em que me permitir descansar.
    Sei que estás no meu canto, a torcer por mim, mas há lutas que travamos sozinhas… tlv num intervalo me dês colo… mas é tudo o que podes fazer por mim! E isso já é muito!

    Quando temos medo de algo, devemos manter uma posição em que sabemos exactamente onde esse medo se encontra.

    Beijinho grande e aquele abraço primota!

    Ana,
    😛
    Bater no ciclone não é opção, ele não é palpável…😛 vou mesmo esperar que passe, como aliás já estou a fazer… esperar que não deixe estragos de maior!
    Queimaduras… sim todos já tivemos… qd não há ciclone, ou os ventos acalmam, vou ver o mar. Amo-o na mesma medida em que ele me assusta. Por isso, por vezes esqueço o protector, esqueço o medo e mergulho… é fantástico, mas qd volta o vento, os ventos… volto a proteger-me do ciclone, que às xs nem chega a ser… só uns remoinhos ligeiros.

    Beijinhos

  6. tou mesmo a ver o filme hehehe ao estilo do titanic, a afundar e tu a segurares a porta para a água não entrar… woooww isso vai mal por aí? andas com medo da água? O mar não faz mal a nínguém desde que o saibamos respeitar e sobretudo conhecer.🙂
    Bom fim de semana Martita

  7. Acabei de descobrir algo… NEM PARECE MEUUUU. Eu bem estranhava esta outra Marta que por aqui aparecia.. mas não é k só agora percebi quem era?? ui… Foi alguem k desapareceu misteriosamente um dia.. Fico com pena.. Mas respeito… Para ela um beijo…

    Outro para ti querida… O ciclone ontem estava bravo.. até senti o vento a passar-me pelo cabelo.. ui… Mas não há nada que uma trave bem colocada nao controle…

    Beijinhos grandes para ti e um abraço (se nao te importas, hoje nao é apertadinho… as coisas nao andam “fisicamente” bem para estes lados.. but don’t worry)

  8. Que fixe… eheheheheh… já cheguei depois deste ciclone ter passado.
    Gostei de devorar mais este teu post, delicioso como sempre.

    Beijinhos no coração.

  9. Ola Marta!
    É som muita saudade que venho aqui..
    O tempo tem sido curto demais para tudo o que quero fazer e nem sempre consigo comentar!
    Li os teus post anteriores mas não os comentei..
    Aproveito este para te dizer que a tua escrita é maravilhosa! Os duplos sentidosque dás ás coisas fazem cada um levar a tua história por caminhos diferentes…
    Como será que acabou a tempestade? Ou será que ainda continua?

    Um beijinho grande =^.^=

  10. Querida,

    Passo para de deixar um beijinho de bons dias, e o desejo que o fim de semana tenha corrido bem. Espero que os ventos tenham passado, a chuva parado… Há mar ainda à tua porta??

    Tem um bom inicio de semana…
    Beijinhos grandes e abraço apertadinho

  11. Marta (outra..sem confusão),

    Sim, ando com receios! Sim, tem aparecido alguns ciclones na minha porta!
    Mas, tenho como objectivo corrê-los a pontapé! No mínimo! 😉
    Qt ao mar, respeito-o, muito, conheço-o, um pouco, mas assusta-me…
    O texto é uma miscelânea, de fantasia e realidade, ou tlv só fantasia, ou não…

    Boa semana.

    Beijinhos!

    Cátia,

    Primota, não te falei da Marta, por respeito para com a vontade dela, mas pensei que a tinhas identificado.

    O ciclone amainou com o fds, mas a previsão é de que ao longo da semana os ventos reaparecerão. Mas não te preocupes, tenho as janelas protegidas, a porta parece uma comporta, e estou pronta para a tempestade, QUE VENHA, qt mais depressa melhor!

    Porque não posso apertar o abraço?
    Que tens de físico que não o permite?
    Espero que estejas bem! Qq coisa tou cá…

    Boa semana e muitos beijinhos!

    Elza,

    Nem todos temos a sorte de viver junto do mar!😦

    Boa semana.

    Beijinhos

    Viriato,
    🙂 Obrigada!
    O ciclone ainda anda por aí… espero que não faça estragos, nem o ciclone, nem eu…

    Beijinhos.

    Catarina,
    🙂 Gosto de te receber!
    A ideia destes textos, além de serem uma diversão para mim, são tb uma forma de descobrir os muitos lados de algo… gosto qd cada um lê um texto diferente, isso permite conhecer-vos melhor… e permite ver o maior número de ângulos possível.
    Passa por cá qd quiseres e poderes!

    Boa semana.

    Beijinhos!

  12. Parece os ciclones se caracterizam por uma elevação do ar quente. Ao elevar-se, ele favorece a formação de nuvens e precipitação…
    Há quem lhe chame “depressão”. Eu não diria tanto.
    Mas que os ciclones que nos inundam a alma fervilham no corpo, e que a precipitação por vezes é difícil de conter, disso não temos a mínima dúvida. Sentimentalismos…🙂 Bj***S, Madam.

  13. Magda Sophia,

    “Depressão” tb me parece excessivo!🙂
    Digamos que o ciclone, tlv seja apenas uma chuvinha.😉
    Sentimentalismos…

    Beijinhos

  14. Essas intempéries que nos assustam e nos querem fazer pequeninos, tornam-nos maiores do que a onda mais alta e mais fortes que a pior ventania.

    beijinhos

  15. Cris,

    É isso mesmo. Quando vem uma dessas tempestades viramos leoas. E se for preciso somos nós que levamos tudo à frente.
    No entanto aqui o ciclone era uma tempestadezita menor!😛

    Beijocas!

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