Salada de frutas

Começo este post, a avisar, que se alguém aqui veio para ler um texto de qualidade, faça o favor de se deslocar a outro estabelecimento… por aqui hoje, anda-se ainda mais raso que o habitual. O estilo é copiado, daqui, mas o talento para o género fica por lá.
Pois, hoje é uma “homenagem” desajeitada, e por isso, tal como ele o faz, comecei por escrever o titulo, se chegar ao fim e não tiver nada que ver com o texto, temos pena! Pensei escrever um texto em que falasse do que ele significa para mim, da importância que tem, de como me diverte… acontece que isso já fiz e isso seria o esperado… gosto de pensar que ainda posso quebrar o esperado e além disso, há melhor prova de amor que dizer a alguém que por ela se faz de tudo um pouco, até uma figura ridícula (que é o que farei a seguir), apenas para lhe arrancar um sorriso!?!

Mas adiante, quero falar de uma coisa simples, salada de frutas.
Outro dia em conversa falava-se sobre frutas, eu gosto de frutas, mas em relação à salada de frutas tenho algumas regras. Não é qualquer fruta que dá uma boa salada, aliás, sem alguns elementos nem sequer considero salada.
Vejamos, maçãs, pêras e uvas por exemplo… se as juntarmos é salada? Não! Não é! Não é! E não é! Se é salada de frutas, tem obrigatoriamente que ter banana, depois nas regras diz que a banana é melhor se for acompanhada de morangos e/ou ananás. Sem estas condições, digam lá o que disserem, é apenas uma orgia mal organizada.
Leram bem, orgia… reparem, juntam-se todas, sem casca, organizadamente desordenadas, as femininas, as masculinas e as assim assim, há quem as sirva com vinho… há quem lhes ponha açúcar e/ou uma série de outros molhos…
Para mim é assim, ou se faz a salada como deve ser, ou come-se uma fruta de cada vez!

Eu cá, prefiro não misturar sabores.

(Ah! Convém esclarecer, as frutas femininas acabam em “a” e as masculinas acabam em “o”, as outras, não sabemos bem quem são, mas sabem bem! Dizem por aí…)

Olá!

Tenho andado ausente, mas não, já não estou de férias… acontece que por vezes nem tudo é como desejamos, e o nosso tempo não estica.
Tenho saudades vossas, dos que comento e dos que leio em silêncio. Tenho saudades de escrever, e até preciso de o fazer. Preciso no sentido em que o faço por prazer, porque me acalma, porque me transporta para um mundo muito meu, mas muito “nosso”.

Estas “justificações”, surgem, porque julgo que as merecem, mas principalmente, porque o faço hoje com vontade… peço desculpa pelas vezes que elas ficam em falta, mas na verdade, não gosto de me sentir a fazer algo só porque devo, gosto de fazer porque quero… já faço “fretes” no dia a dia (já fiz mais…), aqui, neste espaço, não quero obrigações… quero que me visite quem gosta, e só esses, visito quem gosto, e só esses… comento quando me dá vontade, e apenas nessa altura. Não o faço muitas vezes pelo que está escrito, embora tenha encontrado por aqui verdadeiros talentos, faço-o por quem o escreveu, pela pessoa que começo com o tempo a conhecer por trás do blog… mais do que as palavras caras, conquistam-me as pessoas simples, é com elas que me sinto bem.

Nos últimos dias, a Carracinha Linda, a Cátia e a Patrícia nomearam o conto como um blog 5 estrelas… obrigada! A Cátia e a Patrícia, disseram ainda que aqui se sentiram bem recebidas, o “prémio” “schmooze”… mais uma vez, obrigada! Peço desculpa às 3, mas desta vez, não darei continuação, não irei nomear ninguém… o motivo é simples, não me apetece, desculpem, mas é a verdade, nem sequer é arrogância, apenas ignorância, hoje não me sinto capaz de escolher 5 de vós… os vossos blogs, para mim são 5 estrelas, por isso lá vou, sinto que sou bem recebida, por isso continuo a ir… Não vou negar, sinto-me mais próxima de uns que de outros, mas… e os talentos? Aqueles que até nem comento, como ficariam no meio disto? Não! Hoje não vou escolher! Normalmente seria capaz de o fazer sem o menor problema… mas neste momento não… desculpem!

Beijos a todos e até já!
Marta

(Para uma pessoa especial, porque hoje é um dia especial e eu ainda não sei se conseguirei escrever-lhe um post… um BEIJO ENORME!!! SKSKS)

Manhã

Sentámo-nos no alpendre, cada um com o seu primeiro café, a observar o mundo, do alto da nossa planície. Num baloiçar leve das cadeiras, embalando o inicio do dia! Os malmequeres, salpicados de papoilas sobre o tapete verde, conferiam à paisagem um toque raro. Do nosso alpendre, normalmente observa-se uma cena bem mais triste, um contorcer do pasto, do trigo, torturados pelo sol, morrendo à mingua, num soluço de terra seca… não digo que não gosto, até porque Alentejo sem dor, não seria Alentejo e eu não teria lá um monte! Gosto dele assim, inteiro, na alegria e na tristeza…
Gosto dessa terra imprevisível, tão familiar! Gosto quando me brinda com o frio cortante do inverno, do fumo que sai das pequenas chaminés, para afugentar o vento fantasmagórico da noite. Gosto desse calor sufocante, que me seca a garganta, das sombras dos sobreiros… das amoras de agosto, retiradas em esforço, em equilíbrio precário das silvas secas. Gosto do céu, um céu maior… ou um mundo mais pequeno, nunca o soube, nem nunca o quis saber!
Estivemos em silêncio, saboreando o café, ele, talvez a tentar amar uma terra que não sendo sua, se mostra demasiado triste para o conquistar. Mas para mim, o silêncio era em respeito, em devoção àquele pedaço de chão que demorei a entender! Se soubessem quantas vezes me ressenti com aquela terra deliciosamente árida, quantas vezes lhe quis fugir… foi inútil…
Sei que sorri, dando balanço à cadeira e deixando os olhos fecharem-se… estava com ele, numa manhã deslumbrante de cheiros e cores, embriagada pelo aroma do café, no alpendre do monte Alentejano dos meus sonhos. Há coisas, das quais nunca poderei fugir… estão-me no sangue!

Aparências

Dançar sempre me libertou, mesmo quando vivi aprisionada. Permitir que o corpo siga o ritmo, se enrosque na melodia… nenhuma outra coisa me liberta da mesma forma!
Os olhares em redor sinto-os cravados em mim, sinto que alguns me entram pelo vestido pérola, sinto a delicadeza com que uns abrem o fecho e a brutalidade com que outros o arrancam… idiotas…
Vou sorrindo, por vezes divertem-me, mas hoje, talvez pelo cansaço, apenas os desprezo a todos. Bem, não a todos, na minha frente, tenho o homem mais fantástico que algum dia conheci. Um homem que me amou, pelo que eu sempre fui e não pelo que parecia ser… um homem que ainda hoje ama a essência, e não a mulher bombástica que os outros invejam. Para ele o meu sorriso, o meu amor, a minha incondicional admiração. Faz-me feliz o homem com quem casei… casei… esta palavra simples sempre me suou tão bem… sei que casar não é o termo correcto legalmente, mas a mim, a nós pouco nos importa… é assim que o sentimos. Relembro o dia, em que me vesti de princesa, numa festa intima, com alguns, poucos, amigos e declarei perante eles que estava diante do homem pelo qual atravessaria desertos, escalaria montanhas, enfrentaria tufões…
Que incómodo, não param de me olhar… olhos gulosos… em tempos não foi assim… idiotas…
Sinto-me cansada, preciso dormir, aninhar-me nos braços de quem amo. Por aqui, acabaram com a minha festa!
Dirijo-me a ele, a sorrir, não quero que sinta por onde divago em pensamento… nem todos os dias é assim, não, por vezes até me divirto… talvez um dia, um dia em que não esteja tão cansada… talvez um dia, eu grite que nasci longe daqui, numa terra pequena, demasiado pequena… talvez um dia eu conte, que a mulher por quem babam… nasceu mulher, num corpo de homem!

Pérola

Dança na pista, cabelos longos, alta, sorriso no rosto, olhar dengoso. É uma mulher sensual, delicada e atrevida como só ela sabe ser. Destaca-se de todas as outras que ali dançam, pelos gestos, pelo movimento do corpo que tento adivinhar sob o vestido fino. Não, não é transparente, nem curto, nem demasiado decotado, mostra apenas o suficiente para me fazer imaginar o resto da noite, como será o momento em que as alças lhe caiam dos braços. Imagino o tecido leve, macio, escorregando pelo corpo e terminando a viagem num rolo em volta dos pés, ainda envergando aqueles saltos aguçados. A pele sedosa das pernas compridas, o dobrar ligeiro dos joelhos para saltar a argola pérola formada em volta dos sapatos de ouro…
Preciso de mais uma bebida, não que acredite ser capaz de retirar a sua imagem, ondulante, da minha cabeça, apenas desvanecê-la o suficiente para não cometer uma loucura!
Vejo que me olha… vejo que outros homens a olham, mas ela fita-me a mim, o seu sorriso é meu, o homem com mais sorte da discoteca… o homem que ela olha… não tenho qualquer duvida! Bebo um gole e sinto o alivio da bebida gelada descendo-me ao estômago… alivio que dura uns instantes apenas.
Da pista sai um vulcão em passo decidido, um vulcão pérola, com uma mescla de cabelo cobrindo parcialmente o rosto. As cabeças viram-se à sua passagem, tentando adivinhar onde, ao lado de quem terminará o percurso. Eu não tenho a menor duvida. Dirige-se a mim! Aproxima-se do meu ouvido e eu consigo sentir o perfume adocicado…
“Vamos para casa querido? Estou a morrer de cansaço.”
Saímos de mãos dadas e eu agradeço mais uma vez à vida, a mulher fantástica com que casei!

O pequeno José

Hoje, regresso para vos contar a estória do pequeno José. Uma estória, que é a história de tantos meninos e meninas!
O nosso herói, sim, porque é de heróis que falamos hoje. Não desses que se armam, mas dos que o são sem saber… mas continuemos, o nosso herói nasceu em Moçambique, em Chigamane, em 2001. A guerra civil terminara quase há 10 anos, mas as marcas continuavam e continuam ainda hoje por lá. O José nasceu num país com uma beleza fascinante, mas de uma dureza atroz. Um país onde é necessário percorrer quilómetros, para ter acesso a um pouco de água, um país onde quase 40% da população vive com menos de um dólar por dia, um país onde cada criança que nasce têm uma esperança média de vida de 38 anos. Não me enganei, são mesmo 38 anos, quantos de nós já atingimos essa idade, ou estamos prestes a fazê-lo… e estamos ainda a construir as nossas vidas, a iniciar as nossas famílias. Para o pequeno José, o tempo corre num ritmo diferente!
A família que o gerou, é humilde, a mãe, trabalha a horta, caminha 2 horas por poucos litros de água, que carrega nas costas e o pai, procura trabalho, um trabalho que não encontra. As preocupações são as mais básicas e mais legitimas, um prato de comida, uma refeição quente… nem sempre o pequeno José têm esse luxo. Não frequenta a escola, que poderia determinar um futuro diferente… os pais não têm como pagar o material escolar… as roupas são as de sempre, os sapatos… são a pele seca revestida a pó…
Mas o José têm uns olhos lindos que abraçam o mundo, um sorriso rasgado, de quem acredita, de quem é feliz… sou incapaz de entender, sou demasiado pequena… o José é feliz, com a simples graça de mais um dia o sol subir alto e brilhar, o José é feliz por sonhar abraçado à lua, que entra pelo telhado tosco da sua palhota e lhe vela o sono… o José sonha, porque os sonhos são de quem têm capacidade de sonhar…
O José precisa de pouco, quase nada…

Eu decidi, que vou partilhar com um “José” pouco mais do que o valor de um jantar por mês. Esse pouco, quase nada, irá mudar a sua vida… irá garantir uma alimentação correcta, irá permitir que tenha acesso ao mínimo em termos de cuidados de saúde, irá dar-lhe uma educação de base, irá ensinar ao “José” uma profissão, irá permitir um futuro melhor!
Chega de alimentar a miséria… está na hora de começarmos a combater o mal pela raiz, está na hora de começarmos a ensinar a quem quer aprender a subsistir sozinho! Os pequenos “Josés” não querem viver de esmolas, querem ter formação, querem aprender um oficio, querem uma vida simples, mas digna, querem uma oportunidade!
Eu tive essa oportunidade, vocês que aqui me lêem tiveram-na… tentemos partilhar com outros a sorte que nos coube!

Deixo-vos o link da CCS Portugal. Visitem o site, vejam como não é difícil ajudar. Sei que as nossas vidas não são fáceis, sei por mim própria que nem sempre é possível fazer muito, nesse caso divulguem esta associação, esta ou outras, estes espaços que temos, têm porta directa para o mundo, usemo-la!

Obrigada Cátia, porque me deste a conhecer este apadrinhamento à distância… obrigada por mim e pela criança que me for atribuída, seja ela menino ou menina, tenha ela a idade que tiver, seja ela de Moçambique, Angola, Nepal, Zâmbia, Camboja…

Obrigada a todos os que tiveram a paciência de ler este meu post interminável!

Um beijo.

Marta.

Que raiva!

Dividia o olhar entre ela e a estrada. Confesso que o assunto nem sempre abunda, mas o carinho, acreditem quando vos digo que é enorme. Tentava ter qualquer coisa para lhe dizer que a distraísse, sei que pensava na companhia de tantos anos que perdeu… sei que não queria que visse a lágrima que teimava em fugir-lhe dos olhos, e que ela, teimosa, insistia em guardar. Talvez aquela lágrima seja a coisa mais palpável que guarda dele, que guarda de uma vida.

Sempre que a olho, sempre que como agora a recordo, sinto uma revolta imensa e uma impotência maior ainda. Que raiva não poder mudar o mundo. Que raiva não conseguir prolongar aquele sorriso esporádico. Que raiva não ser possível fazer daquela lágrima uma recordação doce… mas não posso… por mais patetices que lhe conte, por mais que lhe diga que o mundo tem umas cores fantásticas, por mais que lhe fale dos netos… que raiva!

Não é justo. Juro que não é justo! Porra! Viveu uma vida difícil, cheia de privações, de mágoas e quando finalmente parecia que conquistara um pouco de paz, nos últimos anos que lhe restam… eis que surge a machadada final. Assim começo a duvidar se vale a pena…

Hesitei o caminho inteiro entre o acelerador e o travão… queria chegar depressa, queria dar-lhe a alegria do convívio que esperou por largos meses, mas sentia-a apreensiva, como se tivesse medo de por momentos se sentir… nem digo feliz, digo apenas acarinhada. Porque será que a dor nos trás habituação? Porque raio nos convencemos que não devemos sentir-nos felizes?

Se querem que vos diga, nem recordo bem qual foi o último dia que a vi feliz… a vida foi tão cruel com ela! Quero acreditar que tudo tem o seu propósito, que no fim, será recompensada… mas porra não o pode ser em vida?

Que raiva!