Conto de fadas

Tive uma infância feliz, cheia de laços e folhos, em tons rosa! Cresci a sonhar com um Príncipe, um daqueles que montam cavalos brancos e que aparecem, qual D. Sebastião, em noites de nevoeiro. Alimentaram-me a ilusão de que o mundo era um lugar perfeito. E o meu mundo, que se resumiu tanto tempo à rua de vivendas do bairro, era quase perfeito mesmo, por isso, acreditei que não me mentiam…
Foi tudo muito fácil, a família perfeita, a casa perfeita, a escola perfeita, a aluna perfeita… e um dia… não numa manhã, mas numa tarde, não num cavalo, mas numa vespa, chegou o Príncipe… imaginem que até era loirinho, como nos contos de fadas que me contaram incansavelmente para me adormecer.
Cortejou-me, eu, como tinha aprendido, fui-me fazendo de cara, mas já demonstrando que estava encantada. Aceitava o galanteio e roborizava… mais uma vez, tudo foi fácil, o Príncipe perfeito, a família perfeita, as boas intenções… Vivi o conto de fadas desprovido de bruxa!
Era uma privilegiada, coisa que nem todos podem, mas eu tinha sorte, a sorte de ter o mundo prontinho mal nascera. O meu peixe nunca tinha espinhas e eu convenci-me, ou deixei-me convencer que todos os peixes eram assim… só lombo! Não tinha sonhos, tinha realidades que eram os sonhos de muitos!
E foi assim, que um dia, o meu Príncipe me mostrou o outro lado da minha rua, para lá das casas bonitas, pouco para lá, havia um charco, um charco enorme… muita lama… confesso que o olhei sem saber de que se tratava… nunca tinha visto nada igual… assustada, beijei o meu Príncipe… e nesse dia, ele voltou à sua condição de sapo.
Eu? Bem, eu agradeço, ter tido a oportunidade de aprender a tirar as espinhas do meu peixe!

36 thoughts on “Conto de fadas

  1. Olá!!!

    Geralmente as histórias são ao contrário: beija-se o sapo que se revela um bonito principe.

    Mas a mensagem que querias passar, “obrigou-te” a fazeres as coisas de maneira inversa.

    Mundos cor-de-rosa…isso é coisa que só existe mesmo em histórias de encantar, daquelas que lemos nos livros ou que criamos na nossa imaginação. Nada é perfeito. O mundo não é perfeito. Nem o Homem o é. Mesmo que o mundo fosse todo coberto de rosas, convém não esquecer que estas têm espinhos.

    Claro que para umas pessoas, a vida é mais fácil e menos problemática. Mas para a grande maioria dos mortais, os problemas são comuns. O emprego, a família, a saúde, etc.

    Uma coisa é certa: mesmo que tudo pareça perfeito, a verdade é que mais cedo ou mais tarde algo nos vai fazer acordar para a realidade e mostrar que, afinal, não é assim tão perfeita.

    Beijocas

    PS – Tens lá um desafio no meu cantinho!

  2. Carracinha Linda,

    O que queria dizer, era isso mesmo, nada é perfeito. MAS, se tivermos oportunidade e quisermos aprender a tirar as espinhas… aprendemos tb, que dessa forma o peixe é mais saboroso, mais completo.
    A menina dos folhos cresceu!

    Já fui ver o teu desafio. Está desde já aceite!

    Beijinhos e uma boa semana!

  3. soberbo texto.
    a realidade é (às vezes) crua e dura!
    apenas saiste da vivência do sonho e entraste na realidade, verdadeira realidade!
    Passaste de um ambiente cor-de-rosa para um ambiente mais escurinho…!
    Foi apenas uma transição, mas claro transição dolorosa.
    Foi algo necessário para amadurecer!

    gostei linda.

  4. Fontez,

    É uma estória, não a minha história, o meu mundo nunca foi assim tão cor-de-rosa. Fui protegida, mas não demais. Explicaram-me muitas vezes que há injustiças…
    Mas sim, cruzei-me com alguns Príncipes que afinal eram sapos!

    Beijinhos.

  5. Eu que gosto de observar o comportamento humano com cuidado e saber muito bem onde meto os pés, mas deixo.me perder quando ele se mostra apaixonado o suficiente para me dar asas. Eu… Eu também já caí no conto do vigário. E precisei catar as sobras da invasão neste meu território tão sagrado.

    Quem nunca se apaixonou perdidamente pelo homem errado que atire a primeira pedra. Mas que atire nele! E com força!

    Quando descobrimos que, afinal, o nosso principe era uma sapo feio, gordo e sem escrupulos, vem a tristeza. Porque por alguns milésimos de segundos quase achamos que ele era diferente.

    Porque é que é tão difícil encontrar alguém realmente especial? E melhor, porque é que enquanto isso não acontece, nós, simplesmente, não aceitamos a vida morna que temos e paramos de nos enganar com qualquer um que nos aparece à frente?

    Mas um dia aprendemos. E no final… o azar foi mesmo deles.

    beijinhoooos!!

  6. Ana,

    Pois é, toda a gente encontra os seus sapos… ou rãs… provavelmente, tb nós, já fomos rãs, sem querer e sem saber!

    As pedras, atiradas com força (:D ), que cheguem aos que sabiam desde sempre que eram batráquios e que ainda assim, se mascararam de Príncipes, as pedras que cheguem aos que nos enganaram em plena consciência!

    Nós estamos sempre a aprender, espero, e com o tempo, vamos apurando o faro como detector de sapos, mas acho que há sempre perfumes em que se escondem… poderemos sempre ser enganadas, mas será SEMPRE um azar maior o deles!

    Beijinhos!

  7. R. Filgueira,
    😀
    Prefiro o peixe à carne, apesar das espinhas! Mas irei ponderar o vegetariana!

    Quanto ao meu Príncipe, espero e acredito, que não se transformará em sapo!🙂

    Beijo.

    (trate-me por tu… pode ser?😉 )

  8. Xanusca,

    Tuning??? náááá!!!
    Se tivesse sido assim, eu sabia logo que era sapo…😀

    Beijinhos!

    Ana,
    😀
    Pois… o carocha, seria melhor (sou apaixonada por esses carros), mas acontece que o Principe ainda não tinha carta. Era puto e betinho… vinha de vespa!😉

    Beijinhos!

  9. HEHE!
    Sendo assim… calhava melhor uma carroça de bois.

    O carocha seria demais pra ele😛

    (São tão lindos. Também sou apaixonada por esses carros. Já me to a veriiii a conduzir um num futuro muito próximo… ou não)😛

  10. quanto aos sapos, já sabemos, a pior parte a engolir é a das pernas… é a parte mais larga!:)
    mas a todos nos toca ao longo da vida engolir alguns, com maior ou menor dificuldade… faz parte!
    acho que agora entendi o teu comentário lá no “sapato”… e embora deteste finais… não vale a pena prolongar uma história que não interessa… ou que acba às avessas!😉

  11. Ana,

    Claro que o carocha era demais para ele! Nem os bois o mereciam.😀

    (qd eu era pequena o meu pai tinha um carocha, ainda hoje sonho com ele… foi um desgosto qd foi vendido!)

    Beijinhos e um bom dia.

    Fontez,

    Pois, não havia muitas.😀
    Tlv um : “que raio de pergunta!”
    Resumindo, seria sempre qq coisa que não dissesse nada!😉

    Beijo e bom dia.

    Manuela,

    Em primeiro lugar bem vinda.
    Quanto ao comentário, este texto não passa de ficção, como quase tudo o que por aqui escrevo. Falo normalmente na primeira pessoa, pq visto os personagens, tento sentir-lhes o pulso, acabo sempre por colocar algo de mim neles, mas eles não são necessariamente como eu, nem vivem o mesmo que eu… este blog é… nem sei, tlv um delírio, um local de fantasia…
    Agora sapos… sim, eu tb já engoli alguns, acontece a todos. Mas não gosto do sabor, não gosto da forma como teimam em não escorregar pela garganta… evito ao máximo essa provação e sempre que posso, vomito-os!
    O “sapato”… no inicio do ano, houve um fim, mas não houve sapo, por isso foi complicado de explicar, tal como no conto do sapato.

    Beijo.

  12. Querida,
    sabemos que o mundo não é perfeito hoje, nem nunca o foi. Mas acho que acontece muito, hoje, criarem um mundo de fantasia às crianças, de modo que, muitas delas, crescem com uma visão do mundo muito desfasada da realidade. Têm tudo, dá-se-lhes tudo o que exigem, e quantas vezes os pais abdicam de coisas essencias para si, para que aos filhos nada falte! Mais tarde os filhos são obrigados a aterrar de paraquedas num mundo totalmente diferente do que lhes foi vendido.
    Isso não é nada bom…
    para não dizer todos os males de daí advêm!

    Por isso o teu conto é muito pertinente. Gostei muito.

    Beijinho

    Fa-

  13. Fa,

    É como dizes, cada vez mais me parece que os pais protegem os filhos em demasia, e com isso, formam alienados da realidade, que um dia, tlv mesmo sem paraquedas, caem num mundo que desconhecem em absoluto. Muitos miúdos de hoje (e tb de ontem, a minha geração está cheia desses exemplos), não sabem o que custa rigorosamente nada, têm sempre peixe sem espinhas. Acho compreensível, que os pais tentem dar o melhor aos seus filhos, mas tb acho, que faz mta falta de vez em qd ouvir um “não”!

    Obrigada.

    Beijinhos!

  14. a pergunta tinha algum raio?🙂
    nah…foi simples…nada de especial…!🙂

    “A vida é uma metáfora, e sem histórias não existem metáforas!”

  15. Fontez,

    “As histórias nós fazemos-la…e…sentimos-la…!”
    Para comentar esta tua frase devia entrar em campos que não me apetece mt. Eu acredito que a minha história, o meu caminho, sou eu que escolho, mas há determinadas encruzilhadas que não posso evitar. O “destino” será o que tem que ser, mas o caminho, sou eu que escolho, a facilidade de aprendizagem depende de mim, do qt eu estiver disposta a aprender… não sei se vivemos contos, sei que vivemos, mais ou menos, consoante o grau de medo que vive em nós… todos temos, mas alguns têm tão pouco que nem é relevante, outros têm tanto que não vivem por isso… eu… estou a aprender a viver um pouco mais a cada dia… a combater o meu medo.
    Parece que voltei a faltar para o Taiki…😉

    Beijo.

  16. Ola querida,

    Ontem já tinha lido este teu post, mas precisei de um pouco de tempo para o ler uma 2ª vez… Só agora tive esse bocadinho, desculpa. Este teu post faz-me lembrar um determinado “Eu”… Se calhar estou a ver coisas ondenão existem (por vezes ao ler as tuas respostas consigo tirar conclusões,ver por tras da mascara…

    A vida quando é muito cor de rosa é de desconfiar… Sabe bem ter uma boa vida, mas cair prepara-nos para a vida, é bom saber que os peixes têm espinhas… Assim quando aparecerem estaremos prontas para elas e não nos “engasgamos”. Por vezes é duro, eu sei… Ninguém gosta de ver o principe chafurdar na lama e a virar sapo, não quando habituamo-nos a ver o menino loirinho ao nosso lado. Sei que é dificil encarar a realidade, que ainda se tenta tirá-lo de lá, mas há alturas que já nao conseguimos voltar para trás… Só temos duas soluções: virar rã, e chafurdar tambem, ou seguir em frente…

    Temos que seguir, e ter esperanças que um dia, chegará outro principe. Se calhar não tão lourinho, se calhar não de vespa mas a pé (ou por outros meios😉 ), se calhar com alguns defeitos. Mas aprenderás a gostar mesmo das imperfeições, e um dia, daqui a muitos anos, verás que tens um verdadeiro principe ao teu lado.

    Sê feliz.
    Beijinhos grandes e um abraço com muitas saudades.

    ps – uma chamada nao atendida que tiveste ontem de um 96 estranho era meu.

  17. Cátia,
    🙂
    Este post não é um “Eu”, podia ser uma história idêntica sim, mas não pensei em mim nem por um segundo, até pq o meu peixe sempre teve espinhas. É certo que me catavam algumas, as mais dificeis de tirar, para que aprendesse, mas foi só um degrau da aprendizagem… foi poupada, sim, mas ouvi “não” muitas vezes (o que me fez mt bem)…
    Este sapo, nunca foi meu… mas sim, cruzei-me com um identico, veio de bicicleta a pedal, depois vespa, depois DT, depois 125… sempre a subir até ao mergulho na lama!
    Nessa altura, depois de ponderar e molhar o dedo no charco, decidi não ser rã…

    Comigo tenho um Príncipe, que eu acredito ser mesmo da realeza… não é loirinho, nem eu queria que fosse, gosto dele exactamente como é, em parte gosto mais ainda, por todas aquelas pequenas coisas que me tiram do sério…

    O 96… pois😀 eu vi a chamada, mas como não conhecia o nº não devolvi! Sorry!

    Tb tenho saudades!

    Beijossss e abraçossssss (hj tou mãos largas, é tudo em quantidade😉 )

  18. devias ser minha mana…:)
    gosto de te ler…
    salvé…!🙂

    P.S. Taiki é um ser engraçado…mas a carta provocará marcas nele…que o diga o destino…!

  19. vinha comentar este e já tens outro..perdoa o atraso marta, andei atarefada😉. Este texto trouxe-me alguma nostalgia.. lembrei me da morgaine sabes? Todos vivemos contos de fadas em tempos e há quem diga que são felizes quem não os vive. Eu não acho. São essenciais para o desenvolvimento e para a imaginação. Ou para escreveres este texto por exemplo.
    Um beijo grande

  20. *Marta Estrelada*,

    Perdoar o atraso? Nem todos têm o tempo como o meu… entre a completa agonia e a completa agonia… seja de ocupação ou desocupação! Melhor esquecer isso…
    Eu tb me lembro da Morgaine, gostava mt dela (agora tenho outro “amor”, tb a começar em M).😉
    Concordo ctg, os contos de fadas são bons de se viver, que mais não seja pelas bruxas.😀 Ou as feiticeiras, que fizeram as minhas delicias. Mas, eu não me identifico com esta menina do texto. Gostei de a contar… mas não me pareço com ela. É certo que tive a minha dose de sapos, mas isso quem não teve?

    Beijo grande!

  21. oix gente eu tenhu uma fada de verdade
    maix tbm minha vida naum é um mundo com de roxinha naum
    e qual quer pode ter uma fada tbm basta acreditar!

  22. Adorei seu texto, muito criativo, você deveria ter tido mesmo uma infância muito linda mesmo.:-)
    como Marta também acredito em fadas.continue sempre sendo esta pessoa criativa que vc é.😉 .
    bjus Lelê.

  23. Letícia, desconhecida,

    Obrigada pelas palavras!
    Que sempre se possa acreditar em fadas e que se saiba que se elas existem também temos que lidar com bruxas…

    Beijinhos!🙂

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