caça

Trouxeram-ma pouco passava das oito da noite.
Fiquei a avaliá-la, por uns momentos. As botas altas. A saia curta. O casaco longo. Pernas compridas. Mamas grandes. Boca garrida.
Carne fresca, não a conhecia ainda, e apesar de não ser tão nova como eu gosto, senti de imediato um estranho fascínio. Devia andar pelos 23 anos, com umas curvas… um olhar provocador, desafiador, um ar rebelde. A vontade de domar aquele bicho fez-me acelerar o sangue nas veias.
Afinal de contas, um homem na minha posição precisa de se distrair. Além do mais, já não tenho 20 anos, nem tempo, nem paciência para romances e cenas de novela mexicana.
Eu quero, eu pago e tomo pra mim! Mas cumpro sempre. É verdade que gosto delas fresquinhas mas nunca aceito nenhuma com menos de 18. Tenho os meus princípios! As brincadeiras são só para descomprimir, se sou uma ou outra vez um pouco mais ousado é porque vejo que elas querem. E se elas querem…
“Fica esta ou trago outra?” – perguntaram-me.
“Serve!”

 

(continua)

13 thoughts on “caça

  1. Vou esperar pela continuação para poder comentar.

    Em relação ao que me escreveste:

    “Pior que não se conseguir é nem sequer se ter tentado!”

    Eu arrisco, sim. Talvez demais. Talvez tenha arriscado e não conseguido o fim que queria. Talvez seja isso que hoje me faz desejar saber se é este ou não o caminho certo. Mas e quem me pode dar essa certeza? Ninguém. Se bem que cá dentro existe uma voz que insiste em murmurar que não é por aqui que lá vou chegar. Mas também em tempos essa mesma voz me murmurou por onde devia ir e, no fim, cá estou. E o receio de me enganar de novo no caminho deixa-me assim: com medo de falhar outra vez, com receio de magoar alguém… sem vontade de me magoar novamente…

    Confuso isto, não?

    Beijocas e bom fds

  2. Carracinha Linda,

    Eu tenho um monte de ideias para a continuação, mas nenhuma que me agrade ainda, portanto não sei bem que rumo irá tomar. Sei como termina, mas não sei o caminho.

    E por falar em caminhos.😉 Concordo com a frase que deixas, por isso te fiz as perguntas. Confuso? Compreensivel! Todos temos duvidas, mesmo aqueles que parecem mais seguros têm os seus momentos de insegurança, de medo. Sabes ao menos por onde não queres ir? Se sabes, e quase sempre sabemos, isso já é um bom ponto de partida!

    Beijocas!

  3. A prostuitiçao é uma realidade, há clientes e ha mulheres que se vendem…
    Seria pouco real se as vissemos “como coitadas – estao ai forçadas”; nem eles como velhos tarados.
    Uns argumentam que “pagam nao para que elas se venham – mas para que se vaiam” – Outras pq “ja que me vao usar – ao menos que nao seja gratis”… e é um verdadeiro mundo economico (o sexo)

    As profissionais tem todo o meu respeito ja as amadoras…

    Bom fdsemana

  4. R. Fligueira,

    Concordo. Os lobos maus e os cordeirinhos, são muito relativos e estão definitivamente fora de moda.
    Mas este não será um caso tipico de prostituição…
    Quanto à profissão propriamente dita, a única coisa que me incomóda é que não paguem impostos. Seria bom para mim, porque certamente aliviaria os meus e para elas/eles, que teriam os mesmos beneficios sociais que eu tenho, que apesar de não serem muitos, são melhores que nada.

    Bom fds!

    Beijo.

  5. M.,
    🙂 Depois de ler o teu comment, fui ver se conseguia dizer que era uma boneca insuflável… mas o homem distinguir-lhe a idade nesse caso já era esticar a corda… mas terei em atenção essa possibilidade para um futuro conto!😉

    Bom fds!

    Beijo.

    Fontez,

    Não tenhas grandes expectativas!😉
    Mas sem duvida que o que imaginei é uma realidade obscura… ainda que possa não ser a que tu estás agora a pensar!

    Bom fds!

    Beijo.

    R. Filgueira,

    Um sub mundo, alimentado pela moral e bons costumes (eu hoje estou especialmente politicamente incorrecta😉 ).
    A II parte? Não sei bem, ainda tenho que definir quem é a personagem que se segue. Porque quem é a caça e o caçador, é uma coisa que como sabemos (eu pelo menos acredito nisso) muda com bastante facilidade.

    Beijo.

  6. Em tempo de “caça real”, aos coelhos, lebres e afins, sais-te com este post fico a aguardar a continuação para ver quem é caçado.

    P.S. Tal como tu também eu pareço estar “especialmente politicamente incorrecto” para ter a ousadia de comentar este post, mas como eu costumo dizer – Ousadia é o meu nome do meio.

    Beijinhos

  7. Para ele é um desafio ter-aquele pedaço de carne mas e também o desprezo pensando que ela está morta para estar com ele. Mas a verdade é que ela despreza-o tanto ou mais que ele a ela. Para ela, ele é um meio para atingir um fim. Sabe que o pode viciar, que o pode utilizar posteriormente.. Aqui acho que muitas vezes se confunde quem é a caça ou o caçador..

    Então e o resto? Não houve inspiração? Não acredito.. Fico a espera. Espero que o fim de semana traga o resto da história.

    Beijinhos e continuação de bom fim de semana

  8. Patrícia,

    E eu gosto que gostes, sejam eles mais ou menos doces, com ou sem travo a azedo!

    Beijinhos!

    Viriato,

    Confesso, fartei-me de rir com este comment. Adorei. E na verdade não esperava outra coisa, é tb pela ousadia, embora não só, que tenho esta admiração pelo homem que aqui me visita. Mas não vejo nada de politicamente incorrecto no comment, acho-o até bastante inteligente.

    Beijinhos.

    Primota,

    É por aí! Ele julga que a caça… ela… julga-se predadora, e não presa!
    E mais não digo… seja lá porque quero manter o suspense, ou porque ainda não me decidi!😛

    Beijo grande e aquele abraço!

    BOA SEMANA PARA TODOS!

  9. Pingback: caçada « conto aqui…

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