caça (explicada?)

Hoje não deixo um texto novo, apenas organizo temporalmente os que já conhecem e digo no fim de cada um, qual o personagem que o conta. Amanhã ou depois, deixo-vos o fim, isto já está longo e confuso o suficiente, provavelmente só faz sentido na minha cabeça…

Casei com o palerma há 26 anos.
Sempre foi um traste, mas tinha um bom nome, uma boa conta bancária e alguns bens. O casamento era um investimento no meu futuro. Revelou-se uma perda de tempo. Tive que fingir que lhe ignorava os hábitos, tive que fingir uma “família” feliz que nunca existiu. Não pude sequer ter filhos, porque o desgraçado nem para isso me serviu.
Perdi por causa dele os melhores anos da minha vida. Nunca me deu nada, vivi de esmolas… para ele seria indiferente dar-me o que lhe exigi… mas não… pois bem, vai sair-lhe mais caro!
Peço demissão, estou farta. Quero o divórcio e tudo o que é meu por direito, pela vida que ele me roubou! Alega que é tudo dele, bandalho. Como se o meu esforço em aturá-lo 26 anos, vinte e seis, não tivesse preço. Engana-se…
O problema dele é que nunca me conheceu… já eu, sempre soube quem ele era. Como vivia… o que frequentava.
Quando entrei, vi de imediato a senhora na casa dos 60 anos, ar simpático mas decidido… encaminhando-se na minha direcção.
Bebemos um chá, e falámos de negócios, eu sabia que ela iria aceitar. Sabia-a tão farta dele como eu!
É certo que em tempos tinha sido um bom Cliente, mas estava a transformar-se num velho violento que tantas vezes se excedia com as suas meninas, que o prejuízo começava a avolumar. Conheço cada detalhe, cada mexerico, controlei-o 26 anos… tonto!
Acertados os detalhes e negociado o valor, fechámos negócio!
Restava-me esperar… pelo sabor doce da vitória!

(a mulher do Cliente)

Não consegui desviar o olhar, nunca tinha visto uma tão pequena. Tive até medo de a agarrar. Os meus dedos pareciam demasiado grandes e que a poderiam esmagar ao primeiro toque. Mas foi-me explicado pormenorizadamente como trabalhar com ela, se fosse rigorosa na minha actuação, tudo seria perfeito.
Ao que parece era o último grito, com uma qualidade de imagem muito acima da média e uma belíssima captação de som.
Escutei com atenção e fingi-me surpreendida.
Da negociata que elas tinham feito, eu já sabia. Ouvi por acaso, enquanto estava escondida atrás da cortina. Um velho hábito, que finalmente me compensou. Enquanto as ouvia, senti pena da desgraçada a quem calhasse a sorte de ser escolhida… e por ironia, fui eu. Valeram-me os detalhes que conhecia e que me foram ocultados aquando das instruções. Ofereceram-me um cheque com bastantes zeros, mas eu sabia que era a minha vida que valeria zero depois de terminado o serviço.
Tive uma hora, uma mísera hora, entre saber que era eu a contemplada da negociata das madames, que ouvira na semana anterior, e entrar naquele quarto, com uma câmara escondida no broche da lapela do casaco.
Foi nessa hora, que decidi com quem tentaria negociar! Se queria viver, tinha que o fazer… e ainda assim, o risco era enorme!

(a “menina”)

Enquanto subíamos no elevador, mandei-a aprontar-se. Estava na hora!
Abriu o casaco comprido, desvendando aquele metro de pernas, que até a mim, me deixaram de olhos pregados nelas, soltou os cabelos longos que trazia até ali num rolo discreto, requintado até, transformando-se de imediato numa espécie de felino selvagem. Quanto à maquilhagem suave, ordenei-lhe que permanecesse, nada de excessos, queria alguma vulgaridade, mas não a queria demasiado reles, e precisava de a manter um pouco menina, bastava carregar o batom.
Enquanto ela dava os últimos retoques, e eu não desbloqueava o elevador, idealizei a expressão dele ao vê-la… ele ía gostar… tinha que gostar!
Precisava que ela lhe agradasse… que o deixasse louco no primeiro olhar, ou isso, ou seria um fracasso… e eu não tinha a menor margem para falhar!
Saímos para o hall, deserto, como sempre o conhecera. Antes de tocar à campainha, dei-lhe as últimas instruções. Naquele tom meigo, claro e inequívoco que os anos me ensinaram a colocar.
“Espero que tenhas a noção do que pode acontecer contigo se falhares!”

(a “madame”)

Trouxeram-ma pouco passava das oito da noite.
Fiquei a avaliá-la, por uns momentos. As botas altas. A saia curta. O casaco longo. Pernas compridas. Mamas grandes. Boca garrida.
Carne fresca, não a conhecia ainda, e apesar de não ser tão nova como eu gosto, senti de imediato um estranho fascínio. Devia andar pelos 23 anos, com umas curvas… um olhar provocador, desafiador, um ar rebelde. A vontade de domar aquele bicho fez-me acelerar o sangue nas veias.
Afinal de contas, um homem na minha posição precisa de se distrair. Além do mais, já não tenho 20 anos, nem tempo, nem paciência para romances e cenas de novela mexicana.
Eu quero, eu pago e tomo pra mim! Mas cumpro sempre. É verdade que gosto delas fresquinhas mas nunca aceito nenhuma com menos de 18. Tenho os meus princípios! As brincadeiras são só para descomprimir, se sou uma ou outra vez um pouco mais ousado é porque vejo que elas querem. E se elas querem…
“Fica esta ou trago outra?” – perguntaram-me.
“Serve!”

(o Cliente)

26 thoughts on “caça (explicada?)

  1. Sabão Macaco,

    LOL
    Tem razão, viu nos posts anteriores!😛
    OHHHH… Agora vejo o quanto estou decadente, já me ando a plagiar a mim mesma… SOCORROOOOOOOO😀
    Mas já agora, percebe-se melhor ou nem por isso?

  2. q confusao isso vai…puxa!
    entao manita?…😀
    apenas organizaste o q ja foi dito…ok!
    para organizar as mentes mais distraidas…! bom.

    agora q venha daí o final…
    good day linda.

  3. Pois é primota, acho que ficou mais claro… a ordem faz toda a diferença e o ler tudo seguido também. Vem lá esse fim ou nao?

    Pois é primta nao tenho boas noticias… andas a plagiar-te… acho que já nao tens cura possível… estes textozinhos espalham-se por este blog…. pufff.

    Beijosss

  4. humm…pra n responderes ainda tás com o efeito de ponche quente natalicio😀 lol

    bjs manita…e olha…(puff deixou de ser surpresa, enfim) a prenda será dada pessoalmente, por isso trata de vires cá cima….;)

    até.

  5. Fontez,

    Queres a verdade? Organizei e ganhei tempo… tou ainda sem saber muito bem como acabar a coisa!😉
    Aliás, como acaba sei, não tenho a certeza é da forma como lá irá chegar! E quanto às prendas, calma que ainda é cedo!
    Beijo.

    Cátia,
    🙂 Primota, a culpa desta vez, não foi do dinossauro, tive que sair… e nem dinaussauro velho nem novo…😦
    Mas agora deixa-me dizer-te que fiquei muito feliz por a coisa seguida fazer um nadita mais de sentido!😛
    É bom saber que plagiar-me a mim própria valeu a pena!😉
    O fim, vem hoje (acho)!🙂
    Beijossss!

    Ana,
    🙂 Bem iluminada sejas!😛
    Queremos muita luz!
    Beijocas!

    Viriato,

    Calma, Calma! O final vem a caminho. Descansem que eu acabo-vos com a tortura!🙂
    Quanto ao musgo, nem é mau… dá para usar nas decorações de Natal!😉
    Beijo.

  6. ahahah .. Tiveste bem nessa do musgo.. Será que no alentejo sabem o que é musgo, ou será que é como as pitas?

    Chega hoje o final? Boa.. Estou p ver como te desenrasas desta..😛

    Tem um bom dia primota
    Beijinho grande

  7. Cátia,

    No Alentejo sabemos de tudo!😛
    Estás para ver como me desenrasco desta??? … Também eu!😉😀
    Bom dia para ti!

    Beijo e aquele abraço!

  8. 😛

    Eu sei que tu terias um final previsto, mas será que depois disto tudo ainda é o mesmo? Ficaremos a aguardar entao por esse final…

    Sabem de tudo no alentejo? Menos o que são pitas nao é?😛 e por falar nisso, quando vamos ataca-las? Estão-me a falhar…

    Beijos

  9. Cátia,

    Sabes… os meus fins de semana estão esgotados até ao fim do ano… :S Acho que te falei nisso.
    Menina Plim, marque a coisa para inicio do próximo ano sff. Afinal, falta apenas 1 mês!😛
    Vamos lá às pitas, que eu tenho saudades!
    Qt ao final já não é o mesmo… nem os personagens!🙂 Acertaste em cheio!😛

  10. Ja bebi cafe… se soubesse que era essa a condição para fazeres o resto, tinha-te trazido um…😛
    Enfim, fico a aguardar… (apesar de já saber que sairá daí mais um plagino de um textozinho… puffff)…

    Beijos

  11. Não sei se percebeste a pressao que tens em ti… é que está tudo (os habituais visiveis e os invisiveis) a ver como te safas… mas minha amiga, foste tu que te puseste nesta situação… agora nao tens outra opção do que tentar dar um fim digno a coisa…😛 mas sei que ainda nos vais surpreender…😉

    Bjkinhas

    ps – ontem estive nos meus escritos, andei numa de pesquisa e depois fiquei sem inspiração mas ontem consegui arranjar alguma… mas ao contrario do que faço nos textos comuns, ali nao dá para fazer do inicio até ao fim… vou fazendo por cenas… já fiz uma que retrata uma punição que até a mim me dá dores no corpo… lol (sou tão modesta nao sou?) Isto só para te por a par afinal eu sei que pensas que estou esquecida…

  12. Primota,

    Pensava pois!🙂
    Nahhhh pensava nada!😛
    E qd é que eu vou ler isso para tb ficar com dores no corpo?😉
    Beijoca.

    ps- surpreender tb pode ser para mal😦

  13. Primota,

    Sabes que uma obra de arte nao se escreve assim rapidamente… ehehe.. tens que ter paciencia

    (quem me ler ate vai pensar que é verdade😛 )

  14. Pingback: caçada « conto aqui…

  15. Não percebo que confusão fizeram. Para mim está tudo claro como água cristalina. Mas, também, o que seria de esperar de uma mente superior como a minha!😀

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