pontos de vista

Começaram por ser detalhes repetidos todos os dias, apenas isso. Pequenos nadas que devo confessar, sempre apreciei. Um certo mistério, um andar dengoso, um bater de pestanas, uma ou outra palavra mágica embrulhada em batom.
Sem que desse por isso, acordar tornou-se fácil a cada manhã na expectativa de a voltar a encontrar. O primeiro café que durante anos foi apenas mais um vicio, transformou-se como num passe de mágica no melhor do meu dia.
Ao balcão comprido lá estava ela deslumbrante, à hora que eu sentia marcada… daí a partilharmos a mesa do fundo foi simples, tão simples que nunca me questionei. Foi o que tinha que ser. Há coisas assim sabem? Com a simplicidade de um sorriso e um embriagante emaranhado de sentimentos.
Começámos por partilhar um café e agora partilhamos uma vida. Passaram-se entretanto seis anos. Ela? Continua a ser um mistério que vou desvendando a cada manhã.
E apesar de preferir a palavra feiticeira, não posso dizer em boa verdade que discordo da minha mãe quando ela me diz:
“A tua namorada é uma bruxa!” 

 

O texto nasce da ideia plantada aqui.

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no teu poema

“(…) NO TEU POEMA
EXISTE UM CANTOCHÃO ALENTEJANO
A RUA E O PREGÃO DE UMA VARINA
E UM BARCO ASSOPRADO A TODO O PANO
EXISTE UM RIO
O CANTO EM VOZES JUNTAS VOZES CERTAS
CANÇÃO DE UMA SÓ LETRA
E UM SÓ DESTINO A EMBARCAR
NO CAIS DA NOVA NAU DAS DESCOBERTAS
EXISTE UM RIO
A SINA DE QUEM NASCE FRACO OU FORTE
O RISCO, A RAIVA E A LUTA DE QUEM CAI
OU QUE RESISTE
QUE VENCE OU ADORMECE ANTES DA MORTE.
NO TEU POEMA
EXISTE A ESPERANÇA ACESA ATRÁS DO MURO
EXISTE TUDO O MAIS QUE AINDA ME ESCAPA
E UM VERSO EM BRANCO À ESPERA DO FUTURO.”

uma estória

A estória que vos vou contar hoje passa-se num reino muito distante, de seu nome Carracinha’s Land e, como qualquer estória que se preze, vai ser contada como reza a tradição.

Era 1 xs 1 terra a tal de Carracinha’x Land ke ficava longe pa ******o oh pah eu n sei max paí uma beca pa cima de 30 minutox em horax de ponta havia lá uma bacana kéra ma kiduxa…

Desculpem, não sou propriamente uma mulher de tradições como se percebeu nas linhas anteriores, por isso, vou deixar de lado as convenções e contar-vos exactamente como tudo aconteceu.

Era uma vez uma princesa, com longos cabelos negros e olhos profundos. Netty, que era como se chamava, ficara órfã muito cedo e sentia-se muito solitária até ao dia em que encontrou uma jovem do povo que contratou para sua aia de companhia. A jovem, até então desiludida e eu diria até um pouco perdida, encontrou em servir a princesa o seu propósito e durante um tempo foram felizes as duas sozinhas.
Faziam longos passeios pelo parque, tinham grandes conversas e sempre que chegavam ao palácio, a jovem, cuidava da sua princesa com todo o carinho. Divertiam-se bastante.
Um belo dia, durante um passeio mais longo, enquanto a jovem Linda (o nome da jovem era Linda), se distraia a contemplar um novo canteiro de rosas, a princesa vislumbrou aquele, que soube de imediato seria o seu príncipe e desatou a correr na sua direcção antes que Linda tivesse tempo de lhe agarrar a trela. E foi assim, que a princesa Netty encontrou o belo Rodolfo, um atraente Labrador e Linda conheceu o seu jovem escudeiro.
A Boda real foi quase imediata, que a realeza tem outros prazos. Os belos plebeus unem-se no sábado e por aqui ficamos todos a desejar que sejam felizes para sempre, com umas pequenas pausas para uns arrufitos, claro está, só para não se chatearem! 😉

outros contos

Hoje falo de um livro que foi lançado na semana passada. O livro surgiu de um desafio lançado no blogue Tangas Lésbicas, um dos blogues que costumo visitar, mas raramente comentar. Acompanhei o desafio e na altura ainda pensei que talvez fosse interessante escrever um conto, embora tenha acabado por não o fazer. Entretanto tenho aguardado a publicação do livro com alguma curiosidade. Aconteceu na semana passada. Ainda não li todos os contos, mas do que li gostei bastante. É certo que alguns com mais sumo, alguns mais light, mas gostei, estou a gostar.
Porque faço a divulgação do livro? Porque achei interessante, porque são contos, porque são escritos por autoras corajosas, porque são mulheres e me identifico com elas, independentemente das escolhas sexuais. Porque sim!
Podem ver aqui mais informações sobre a obra e como adquiri-la.
Boas leituras!

temente

Ontem voltou a acontecer. Eu sei que é a minha obrigação como mulher. Sei que é assim que deve ser, mas às vezes… que Deus me perdoe, tenho vontade de fazer como as outras e tomar os malditos comprimidos.
O homem também já me disse o mesmo, que se calhar era melhor arranjarmos alguma solução, eu só tenho 40 anos e já vou no sétimo gaiato. E posso garantir que muitas foram as vezes que pecámos nestes anos, muitas foram as vezes que… bem, o homem parou a coisa… eu até tenho vergonha de dizer isto. Eu por mim, tinha feito como o senhor padre disse, mas eu sou mulher, já se sabe, sou mais forte nestas coisas, mas o homem…
Já me confessei muitas vezes por causa destes meus pensamentos e quando eles me chegam, rezo muito para que vão embora. Eu sei que os filhos são a nossa maior alegria, e ninguém gosta mais dos filhos que eu, mas… o dinheiro não é muito e eu já tive que deixar de trabalhar fora, tenho que tratar deles e tratar da casa e tenho dias que… sei lá, que penso que se me vem mais algum ainda perco o juízo por não ter o que lhes dar para comer. O senhor padre tem-me ajudado muito, é um homem caridoso, tenho recebido muitas ajudas da paróquia, mas parece que me sinto mal… isto não era o que eu queria para os meus filhos. Gosto muito de falar com o senhor padre, ele tem estudos, sabe dizer as coisas certas e já me explicou que a única coisa que posso fazer é… deixar de… mas o homem quer lá isso. Ele também é temente a Deus e sabe como é que as coisas devem ser feitas, mas também é homem e…

Nota:
Este texto vem na sequência de duas noticias,
esta e esta.
Fica muito por dizer… talvez num outro dia!

Para os que não sabem podem ver aqui em traços gerais, a distinção que faço entre Deus e a Igreja.