naquela terra

O ano era 2007, o mês era Março e o dia, 2. A casa era o confesso.
A culpa desta repetição é da Cátia, que no comentário que fez ao post anterior o associou, e bem (são muito idênticos), ao texto que vos deixo a seguir. Provavelmente para a maioria é um dejá vu, peço desculpa.
A Cátia, o Cdesag, o Fontez, o Bono, a R.Filgueira, a recém chegada Sininho, que na altura respondia por outro nome, enfim… muitos de vocês viajaram comigo naquela altura e estão ainda hoje por aqui de forma mais ou menos regular. Obrigada.
Mesmo quando não fui eu, nunca deixei de o ser, mesmo quando fui eu, não resisti a inventar um bocadinho…

Fica a memória:

Hoje vou partir, descobrir um mundo novo… cansa-me esta vidinha de sempre, esta rotina, este rol de impossibilidades… hoje posso tudo e vou partir!
Comigo levo apenas o que preciso, visto a armadura reluzente, coloco a espada na cintura, escondo o cabelo para enganar os adversários, monto o meu cavalo e parto a galope. Pelo caminho agarro-te pela cintura, coloco-te na garupa e levo-te comigo… não tenhas medo, proteger-te-ei de todos os perigos, levo a coragem e a valentia das grandes guerreiras.
Será assim que partiremos… quando o sol se encontrar vermelho… e a porta estiver aberta para a terra da fantasia!
Lutarei contra dragões em cavernas escuras, iluminadas apenas pelo calor do fogo e pelo faiscar do meus olhos. Enfrentarei bruxas más, sem receio dos venenos e dos feitiços de morte que me lançarão. Consultarei feiticeiras, que me avisarão das bruxas e dos dragões… dos perigos daquele mundo, dos adversários que se baterão comigo.
Das feiticeiras conseguirei poções… mezinhas para todas as maleitas. Correremos grandes perigos, viveremos muitas aventuras e em todas elas, no derradeiro minuto, salvar-te-ei… será esse o instante em que te carrego nos braços e beijo… e tu… rendido deixas-te levar na minha fantasia…
Nesses instantes de fim de história, o meu mais perigoso adversário, o medo, num último suspiro, desembainha a espada… tentando trespassar-me, ataca-me pelas costas o cobarde… mas eu resisto, num golpe de sorte e astucia…
Naquela terra, somos invencíveis e imortais… poderemos ser imprudentes… arriscar… naquela terra poderemos ser o que quisermos…
Naquela terra, a da fantasia… a que existe pra lá dos nossos sonhos, dos nossos devaneios… por lá nada nos separa…
Mas tudo isto é apenas por lá!…

 

Adenda: Acho que ao fim de praticamente dois anos a escrever com regularidade dou menos erros gramaticais e verbais… ou talvez não… 😀

o cabeço

Entre o monte e o cabeço eram cerca de duzentos metros. Não que o soubesse, ou que algum dia isso lhe tivesse interessado. A lonjura era definida pelas pernas curtas que tanto se podiam enterrar pela encosta acima, como serem velozes como o vento.
Após a escalada ao topo do seu Evereste privado o mundo era seu e podia fazer o que quisesse.
Por vezes, limitava-se a deitar-se de costas na terra fofa e a contar as estrelas. Contava-as a todas, porque de olhos fechados para se proteger do sol podia ver o que bem entendesse. Outros dias, chorava as tragédias da sua vida. A Maria que tinha ficado com o seu elástico colorido. O Pedro que lhe chamara lingrinhas. O João e o Ricardo que a tinham deixado encostada na parede branca até ao fim e mesmo aí quase brigaram para ver quem não a tinha na equipa de futebol. A tia chata que lhe apertara as bochechas enquanto berrava que aquele era o melhor tempo da sua vida. Sabia lá ela. Velha. As tragédias que a apoquentavam. Nesses dias congeminava planos de vinganças requintadas. Andava em círculos como via nos desenhos animados e quando o plano, brilhante, tomava forma na sua cabeça, semicerrava os olhos e de indicador espetado para o céu constatava: Perfeito! Seria assim, tal qual o plano traçado se por um qualquer acaso não esquecesse tudo durante a descida.
E havia ainda dias em que do alto do seu sonho subia a uma oliveira e ficava a balouçar as pernas que desconheciam a palavra cansaço, enquanto os olhos saltitantes mudavam a paisagem e surgia o seu reino. Campos verdes a perder de vista, riachos que atravessava montada no seu cavalo com o cabelo discretamente escondido dentro da armadura. Corredores estreitos que percorria sorrateiramente subindo o vestido longo apenas uns centímetros, para permitir o apressar do passo em direcção às masmorras onde no último minuto salvava o herói que havia sido atraiçoado…
Entre o monte e o cabeço há apenas a distância de dois mundos. Ela já não sobe com regularidade o seu Evereste, mas ser-lhe-á impossível esquecer o cabeço onde foi guerreira e rainha, cruel e benevolente. Uma espécie de ensaio ao que ainda é!

22 olhares

Hoje é dia de lançamento. Para quem está no Porto, ou que lhe apeteça ir até lá, é às 16 horas no Palacete dos Viscondes de Balsemão à Prc. Carlos Alberto.  

Em Lisboa será no dia 5 de Dezembro, pelas 19:30 h, na Livraria Barata.

Estão todos convidados.

22_olhares_sobre_12_palavras

O Livro nasceu de um desafio lançado pelo Eremita. São 22 olhares sobre 12 palavras. Um desses olhares é da nossa amiga Fa menor. Em especial para ela os meus parabéns. Escreve maravilhosamente bem e merece esta publicação!

Encontram mais informações aqui.

Boas leituras.

retalhos de um conto teu

Gosto de todos os que me visitam (dos habituais pelo menos), mas como sabem passam por aqui 2 meninas por quem tenho um carinho especial. Pelo que já vivemos juntas, pelo que rimos e também pelo que chorámos. Pela sinceridade que espero delas e que sei que elas esperam de mim. Falo disto hoje, porque hoje uma delas está de parabéns. Não só por ficar mais velha, não só por ter mais (ou menos) um ano… ela está de parabéns principalmente porque passou um ano, um que foi difícil e ela fê-lo com a frontalidade e a honestidade que já nos habituou. Fê-lo com a cara e a coragem. Fez-me em muitos momentos ficar orgulhosa dela. Soube crescer mais um bocadinho, mantendo-se criança.
Ela deve achar que eu ando afastada, e ando, mas não é dela é deste mundo… este que por muito real que seja não o é verdadeiramente. Mas ela também já faz parte do meu mundo real, portanto não podia deixar passar em branco esta data. “Que seria!” 😉

Menina Plim, parabéns por seres esse poço de emoções que me apaixona!

O post de hoje não é meu, é teu! São retalhos, gargalhadas soltas pelo tempo, vivas em mim! São muitos, podiam ser muitos mais… escolhi os que mais lembro e me fazem rir. Obrigada menina Plim e PARABÉNS!

(post-Jaime)

Plim! disse,
Julho 13, 2007 @ 2:18 pm ·

HAHAHA!
Essa história fez.me lembrar uma que vivenciei no inicio deste ano, mas em relação a uma lagartixa que teimava em esconder.se na casa de banho. E quem me conhece sabe que eu ODEIO lagartixas… não é medo… é um bixo que me faz impressão.
Estava de noite e eu lembrei.me de ir à casa de banho e no caminho ocorreu.me da existencia da tal lagartixa que achava que a casa de banho era dela. Desta forma, antes de entrar no wc, estiquei o bracinho, acendi a luz. Olhei para ver se a louca não estava por perto e entrei, descansada. Nem sinal da dita cuja. Uffa!
Fiz o meu xixi e já quando me estava a levantar eis que sinto algo a cair no meu pescoço. Levantei.me num susto e saio a correr disparada da casa de banho, a tentar em vão subir as cuecas ao mesmo tempo que lutava contra sei lá o que. A luta foi feia e quando finalmente consigo desvencilhar.me, percebo então que estava lutar contra o elástico que me caio do cabelo. O pior de tudo é que nessa noite mal dormi com o susto que apanhei e a lagartixa nem sinal dela… até hoje.
hehe

(post-Desafio)

Plim! disse,
Setembro 4, 2007 @ 8:17 pm ·

LOL
Ora pois que, como menina obediente que sou, peguei no livro mais proximo… Trata.se de uma versão muito antigaaaaaaaaa de O Crime do Padre Amaro de Eça de Queiroz.
Abri na página 161, como ditam as regras e eis que a 5ª frase completa é a seguinte…
*Momento de afinar a voz*
“E ouvira tantas vezes exclamar: Se voce não fosse um raquítico, quebrava.lhe os ossos!”

(post-Café escaldado)

Plim! disse,
Novembro 29, 2007 @ 9:13 pm ·

“o estomago agradece a agonia…” não aguenta tanta porcaria e o ralo começa a cheirar mal. Como no filme hehehehe

Plim! disse,
Novembro 29, 2007 @ 10:29 pm ·

o ralo da casa de banho.
“Qual casa de banho?”
“Da casa de banho do estabelecimento que tem um café horrivel.”
É esse ralo…

Marta disse,
Novembro 29, 2007 @ 10:55 pm ·

Eu sei, eu vi o video, mas da forma como dizes e para quem lê, vai achar que é algum ralo meu!
Assim, estamos já todos esclarecidos!

Plim! disse,
Novembro 29, 2007 @ 11:18 pm ·

LOL
NUNCA!!
Meus amigos para que fique bem claro: O ralo da Martinha não deita cheiro!!
Beijinhos!!

(post-pérola)

Plim! disse,
Agosto 19, 2007 @ 12:11 am ·

Tens que ver isto: http://www.youtube.com/watch?v=5NUQFt4l_3c
Tá genial!!
“ai qui sustuuu!!”
hahaha

(post-simples)

Plim! disse,
Setembro 16, 2007 @ 12:43 pm ·

MARTAAAAAAAAAAAAA!!!
Sonhei contigo… que te tinhas casado na minha casa. imagina! hehehe
beijinhos

Marta disse,
Setembro 17, 2007 @ 12:10 pm ·

Agora um piqueno reparo… menina Plim, isso deve ter sido um pesadelo!!!
Mas vou querer saber tudo em detalhe…

Plim! disse,
Setembro 17, 2007 @ 1:06 pm ·

Pesadelo?! Qual pesadelo!
Foi uma autentica farra hehe

Marta disse,
Setembro 17, 2007 @ 2:00 pm ·

Ana,
Tens que contar isso… é que casamento, só me parece farra se for dos outros.

Plim! disse,
Setembro 17, 2007 @ 2:27 pm ·

HAHAHA!
Olha foi muito divertido sim…
Eu não te vi a casar, mas vi.te no final com o esposo já de aliança no dedo
O teu homem tava numa euforia louca. Não cabia em si de contentamento. Só sei que no final foste atirada ao ar umas quantas vezes e já andavas sem vestido…
(Querias antecipar a Lua de Mel… hehe)
Também me recordo assim vagamente de um tractor. O veiculo que te transportou até à igreja, que era a minha casa…
hehe

(post-solo)

Plim disse,
Fevereiro 22, 2008 @ 11:17 pm ·

É caso para dizer “more fingers, more fingers!”- vi esta fala num dos episódios de L Word e não resisti… afnal de contas eu sou a desbocada de serviço.
Beijinhos.

Plim disse,
Fevereiro 23, 2008 @ 12:41 am ·

OPA PARA TUDO!
NÃO ACREDITO!
Até estou comovida… ACHEI!!
OPA ACHEI!!
Alice e a destrambelhada do bar, a Papi! lol

Plim disse,
Fevereiro 23, 2008 @ 12:43 am ·

http://www.youtube.com/watch?v=BVAWyDS9aSk
Eu gosto da musica! lol

(post-lados)

Plim disse,
Outubro 6, 2008 @ 3:24 pm ·

Só para que saibas, faltei ao curso e estou a cozinhar camarão, a beber minis e a ver as tardes da Julia… do lado de cá lol
beijinhoooo

(post-busca)

Plim! disse,
Julho 10, 2007 @ 12:44 pm ·

O amor.
Só o amor me faria correr assim. Corpo ofengante. Doido. Para no final cair, cansada, não sobre o chão, frio, seco, mas sobre os braços daquele alguém por quem percorri um longo caminho e enfrentei obstáculos e as amarguras do tempo.

(post-faz de conta)

Plim disse,
Fevereiro 20, 2008 @ 1:38 pm · 

Quando eu era pequenina e espiava o mundo atraves das grades do portão, pela altura da feira em frente à minha casa, havia sempre um vizinho meu que ia para lá vender algodão-doce. Um dia, resolvi sair … e fiquei a ver o velhinho transformar o açucar em nuvens, em mágica, em pedaços de carinho. Quando ficou pronto, mal podia acreditar! Agarrei no algodão e desatei a fugir.
Lá de longe, o velhinho gritava: “Oh Aninhas, mas então e o dinheeeeeeiro?” Eu virei.me e respondi: “Nao quero! Nao preciso do dinheiro! Só o algodão-doce já é bom!”
O velhinho gargalhou e logo respondeu: “É assim mesmo, não é Aninhas? Só o algodão-doce já é bom!”
Depois… depois eu cresci… e comecei a ter de pagar pelo meu algodão-doce.

E agora digam-me é possível não AMAR esta mulher?!

problemas laborais

Cansada. Acima de tudo estou cansada. Nos últimos tempos as minhas horas de sono foram reduzidas ao mínimo. Ontem por exemplo, foi um dia complicadíssimo. Depois de 10 horas de trabalho, quando finalmente me preparava para jantar uns cereais em frente à televisão, começou a berraria do costume. Nem vos conto. Um gang de um bairro vizinho, invadiu a rua. Os rapazes e raparigas que o compunham não iam além dos 18 anos. Armados até aos dentes e com a irmã do chefe do gang cá do bairro como escudo. Podem imaginar o alarido que foi.
Demorei apenas uns segundos a perceber toda a situação, que me entrava pela janela escancarada do meu sétimo andar. Tenho já os olhos e os ouvidos bem treinados, infelizmente não foi a primeira vez que tive que intervir em algo do género. Vesti-me num ápice e voei até lá.
Quando voltei a casa, depois de tudo sanado e algumas detenções já passava das 23. Esgotada. Completamente esgotada. Quando se trata de miúdos fico sempre assim.
Comi uma maçã sentada na cama e a dada altura deixei simplesmente o meu corpo cair para trás. A janela permanecia aberta e nem o frio da noite me impedia de cair no sono, assim, tal como me encontrava. Pés no chão e costas estendidas ao atravessado por cima da roupa. Despir o fato de lycra estava fora de questão. Dava demasiado trabalho. Ter tirado os acessórios já foi um esforço tremendo. Mas estava em casa e os acessórios são sempre a primeira coisa que tiro. Aqui entre nós, são muito engraçados e multiplicam o meu charme natural, no entanto confortáveis efectivamente não são. Enfim… o preço da beleza!
Mas adiante. Tinha eu acabado de cair no sono quando começo a ouvir “Socorro! Socorroooo!!!”, a principio até pensei que era um sonho, mas como sou uma profissional consciente, abri um olho para confirmar e vi de imediato o que se passava. Era do outro lado da rua, o nº22 estava em chamas.
Não sei onde fui buscar as forças, mas levantei-me num salto e aterrei com os pés dentro das botas de cano alto. Estiquei o braço até ao cabide da entrada, agarrei na máscara que enfiei na cabeça e só faltava o último detalhe para poder correr para lá. As cuecas. As que tinha usado umas horas antes já estavam na tulha e eu não gosto cá de porcarias. Abri a mesinha de cabeceira e fiquei sem saber bem que cor escolher. Tinha a lycra creme vestida, talvez um castanho, quiçá um roxo… a situação era grave, mas não era caso para me desleixar na indumentária. Optei pelas roxas. Enfiei-as a caminho da janela e atirei-me.
Mas digo-vos, foi a última vez! Hoje já falei para o ministério e já os avisei, ou arranjam mais alguém para a minha rua, ou vou directinha ao sindicato dos super-heróis!!!