a propósito do Natal

Nem sei bem por onde começar… ora vamos lá ver.
Obrigada pelos votos de feliz Natal que me fizeram chegar. Através do blogue, pelo mail, pelo msn e também por telefone. Obrigada.
Obrigada e desculpem. Esperava enviar-vos um mail, e tentei fazê-lo, acontece que como sempre deixei para a última hora, mea culpa, e da santa terrinha a minha net móvel estava, como colocar isto… uma merda! Resultado, não houve mail para ninguém. De alguns tenho o número de tlm, esses ainda receberam a mensagem da praxe nestas alturas, os outros, simplesmente pensaram que eu sou uma besta, o que não anda de todo longe da verdade!
Bem, apresentadas as desculpas passemos ao assunto seguinte. O tal do espirito natalício que andava em parte incerta. O tal que eu não sabia onde encontrar e muito menos tinha vontade de andar à procura. Foi como tinha que ser, não o procurei, ele chegou pelo correio na quarta-feira de manhã, no momento exacto para que eu o levasse comigo até aos meus Alentejos.
Foi só no momento em que o vi, que me lembrei que ao longo do ano o tinha enviado em pequenos pedaços para Moçambique. O destinatário foi o “meu José” de que vos falei há muito tempo. Na quarta-feira, recebi-o de volta na forma de uma fotografia. Não sei colocar em palavras, Como dizia a carta do animador, é tempo de saber da família e é assim que eu o sinto, família. Nunca o vi, nunca o ouvi, nunca lhe senti o abraço, por mais que eu tente imaginar-lhe a realidade ficarei sempre aquém, por mais “pequenos Josés” que descreva, nunca o conseguirei. Mas sinto-o família! Sinto-me responsável. E mais importante, porque eu tenho esta coisa egoísta que vive em mim, sinto-me útil e sinto-me bem. Não é propriamente uma troca, não, eu recebo mais, muito mais. Nem sei sequer se o faço por alguém a não ser por mim, julgo que não, mas também não sei se isso importa.
Pode não ser assim com todas as pessoas, mas eu muitas vezes quando olho para trás vejo apenas uma sucessão de erros. Um percurso enrolado. Na quarta-feira, ao olhar aqueles olhos grandes e lindos, mas tristes, fiquei feliz. Fiquei, porque pela primeira vez junto à fotografia e ao desenho vinham umas garatujas que diziam “Feliz Natal”. Fiquei feliz, porque como todos às vezes erro, mas outras vezes acerto. Natal é isso não é? Uma questão de atitude, não uma data…
Apesar de ter adorado a boína que me deram, ou não fosse eu louca por chapéus, esta carta, foi o meu melhor presente. Não estou a ser hipócrita nem politicamente correcta, ela plantou-me um sorriso, encheu-me de orgulho e salvou o meu humor. Podem até dizer-me  “Ah mas o orgulho não é um sentimento digno do Natal”…  mas aí eu vou ter que responder “e eu com isso? O meu orgulho é muito menos feroz que certas mensagens de Natal”… pronto… não resisti a esta deixar esta pequena dose de veneno!  😕

 

(Para quem é novo por cá, para que entenda de quem falo, pode ver este e este post. Trata-se de um apadrinhamento à distância, na altura através da CCS Portugal, que em Janeiro de 2008 passou a Helpo. )

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feliz Natal

Não me apetece escrever sobre o Natal. Este ano não atino com o lugar onde guardei o meu espírito festivo. Não o encontro e na verdade também já não o procuro. Se tiver que o encontrar casualmente que seja, se não… temos pena.
No entanto, não podia deixar de vos desejar um feliz Natal! Não porque fica bem, mas porque efectivamente espero que tenham um feliz Natal. Porque espero e quero que sejam felizes!
Portanto este ano é assim, os meus votos de boas festas são chochos e sensaborões, mas sinceros…

Tudo de bom!

Marta

com h

Por esta altura a única coisa que estou a conseguir contar decentemente são as horas e os dias. Que a propósito devem estar sem combustível… estão muito lentos. Mas hoje já é quinta e invariavelmente o meu humor tem ligeiras, muito ligeiras, melhoras quando se aproxima a sexta e na sexta. Vai dai pensei, já chutava os desamores para segundo plano e contava qualquer coisita sobre mim, afinal de contas conto tanto e nunca conto nada… mas sem saber por onde começar e para não piorar o meu débil humor, resolvi dar-vos musica.
Vou colocar por aqui, novamente, este homem que eu acho deliciosamente louco, exagerado, artista. Adoro-o. Deixo-vos a primeira musica que conheci dele, há muitos, muitos anos.

Dizem que as conversas são como as cerejas não é? Com a musica lembrei-me que também a minha mãe queria um rapaz, mas nasci eu… a aproximação da sorte grande.
A minha mãe dizia: “ Que seja um rapaz, mas se for uma rapariga, que seja em tudo diferente da irmã.”
A minha irmã é loura, eu já nem me lembro. A minha irmã é alta, eu… enfim. A minha irmã tem olhos azuis, os meus são castanhos ou esverdeados ou… sei lá. A minha irmã tem peito, eu também, mas é mais parecido com o do meu pai, que para homem não está nada mal. A minha irmã está casada há mais de 20 anos… eu vivo quase há 10 anos com um canário. A minha irmã teve uma daquelas histórias em que a mocinha conhece o mocinho, se apaixonam, ela larga tudo, vai atrás dele e passados 20 anos continuam muito felizes. A minha irmã tem uma daquelas histórias que em algum momento das nossas vidas duvidamos que existam, a minha irmã tem, existem! Porém, eu tive mais sorte que ela. Tenho um percurso cheio de amores, de tombos, de enganos e recomeços e a isso chama-se vida. E é por isso, por essa bagagem por vezes incómoda que carrego comigo, que tenho contos para contar e é ela que faz com que mesmo minorca, lingrinhas e lisa, eu me sinta uma mulher interessante. O misterioso equilíbrio do universo.
E é talvez porque a minha mãe o pediu, que somos em tudo diferentes e de longe mais ricas pela partilha de experiências.
Só há um senão, da próxima vez que a minha mãe descaradamente me pedir um neto, vou ter que lhe lembrar que devemos ter cuidado com o que desejamos. 😀  

Afinal hoje fica um pedaço de mim, quando eu sou com h.

desamores

O Simão foi o meu grande amor. Eu sei, eu sei, já me disseram tudo isso milhões de vezes. Já sei que só tenho 19 anos e que acham que vou amar outra vez, que com o tempo vou perceber que nada é tão definitivo como me parece agora, que o mundo não acabou. Já ouvi isso tudo, repito-o, mas dentro de mim não acredito. O mundo até pode não ter acabado, mas eu não tenho chão, não tenho ar… amar outra vez… pois… nada é definitivo? Sei. Vejam bem… não é evidente? Não podia ser mais definitivo!
Mas adiante, que eu não quero saber dessa sabedoria que todos possuem, mas que ainda assim, erram tanto como eu. Já que tenho que contar eu quero só fazê-lo depressa e acabar com isto. Estava eu a dizer, o Simão foi o meu grande amor. Era o rapaz mais giro lá da escola. Um sentido de humor apurado, um sorriso de fazer cair por terra, enfim, era o namorado com que todas as miúdas sonhavam, mas foi a mim que o Simão amou. Não quero saber do pensam, eu sei que ele à sua maneira me amou.
Namorámos 3 anos. E eu fui muito feliz. É verdade que nem sempre as coisas corriam bem, mas isso é normal numa relação. O nosso problema era sempre o Vasco. O Simão sabia que ele gostava de mim. Eu até simpatizava com o Vasco, mas fazia por não estar ao pé dele, só que às vezes não dava para evitar trocar uma ou duas palavras… só nessas alturas é que acontecia. E o Simão quando caía em si sentia-se ainda mais mal do que eu. Acabava sempre por chorar nos meus braços, explicava-me que me amava tanto que a ideia de me perder era insuportável… eu sabia que era verdade, ele fazia tudo por mim, por isso não contei a ninguém…
Isto aconteceu no último dia de aulas do ano passado, à noite, nós tínhamos ido todos jantar, era a nossa despedida da escola… eu tinha bebido um bocado. Não sei bem como foi, sei que estávamos no restaurante quando Vasco me roubou um beijo. Um beijo na boca. O Simão ficou louco, agarrou numa garrafa de vinho vazia… tenho mesmo que continuar? Vocês já devem ter percebido… pelas cicatrizes na minha cara e no meu pescoço… mas eu tive sorte… o Vasco não sobreviveu…