ainda sem titulo

A chuva açoitava a porta de vidro da cozinha. Mais um dia frio. Não eram assim os dias que tinha imaginado quando comprara o terreno e me instalara na pequena casa. O rio que sabia ao fundo do vale não o conseguia avistar e do sol que devia estar a pique no céu, nem rasto, havia apenas uma claridade desfocada em tons cinza.
Fiz o segundo café do dia e encostei-me na aduela da porta, espreitando para fora do meu refugio com cheiro a fumeiro. Tinha o café quase bebido quando vi o carro a subir a ladeira lamacenta que dava para a minha casa. Quem se teria atrevido a desafiar o temporal e a lama, perguntava-me, eu própria não descia à aldeia há mais de três dias e não tinha qualquer intenção de o fazer antes que o tempo melhorasse.
A estrada terminava ali, bem na frente do meu alpendre e nos meses que decorreram entre a minha chegada e aquele dia, apenas dois carros além do meu a tinham percorrido, o primeiro fora a carrinha das mudanças e o outro, o de um casal de jovens que em busca de um local isolado ignorou o aviso de propriedade privada.
O ronco esforçado do motor parou e um homem alto na casa dos quarentas saiu lá de dentro envergando um impermeável.
Vesti o sobretudo, coloquei a mão direita dentro da algibeira e saí para o frio do alpendre ao seu encontro.
“Está perdido?”