prazeres

Há sempre em mim uma ferida, pequenina, controlada, algures, simplesmente com o propósito de me dar prazer. Um prazer que me chega da excitação de arrancar a carapela. O estalido que não se ouve mas sente, sob a crueldade da unha, o pequeno afluxo quente, berrante, palpitante… há sempre em mim uma ferida a sarar e eu nunca deixo que ela vá… permito que se desloque é verdade, mas que não se engane é apenas com o intuito de a caçar, de a buscar pelo meu corpo. Perco-a na orelha quando a sinto a aflorar na nuca, exatamente onde começam os cabelos, outras vezes deixo-a viajar até meio das costas… quiçá um cotovelo para quebrar a rotina… talvez uma coxa, uma nádega, um joelho…

Não importa! Ela está sempre algures, invisível aos outros e prazerosa, deliciosamente dolorosa para mim.

Talvez nem seja sempre a mesma, mas que me importa isso, se é invariavelmente com a mesma ansiedade que a busco?!