Ouço-os cada vez mais alto. Uns gritam. Aqui ao lado, outros, soltam uma espécie de sussurros audíveis, recados, venenos. Levanto-me e vou buscar uma garrafa de água. Estou cansada. Farta!

Agarro a pequena lamela branca. Pressiono-a. Num pestanejar de olhos uma rodinha mágica encontra-se entre os meus dedos… mais um pestanejar e já se encontra a deslizar pela garganta como se estivesse num parque aquático. Não a sinto a mergulhar no estômago, mas não tarda sinto-lhe o gozo. A dormência. A cúpula à minha volta. Os sons abafados. Os olhos que se fecham ligeiramente. A leveza. Uma certa embriaguês sem nenhum consumo de álcool.

Ouço-os ainda à minha volta. Uns gritam. Aqui ao lado, outros, soltam uma espécie de sussurros audíveis, recados, venenos. Eu permaneço sentada, no olho do furacão… que se lixe… é sexta!

(Cara pálida, obrigada por me teres explicado outro dia que se tivesse cagádo as cuecas, elas continuariam cagádas, mas eu não me importaria tanto, é isso, sem tirar nem pôr)

3 thoughts on “

  1. Hum, melhor será abafar os gritos com música. Solta-a, ela mora aí dentro. Também é antídoto para venenos. Não vês? “É sexta-feira, yeah/Quero ir pra brincadeira, yeah…

  2. às vezes não se para na sexta, sétima, ou oitava… para que?! às vezes é preciso apenas não contar… é melhor estar totalmente absorto no vazio que nos envolve… como não?! ou… porque não?!

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