margarida #5

Fizeram o jantar em conjunto entre beijos abraços e amassos, enquanto partilhavam um vinho tinto e um queijo de ovelha da região.
Margarida apesar do desassossego da paixão, porque sim, não tinha dúvidas de que estava apaixonada, sentia-se em paz, uma paz que julgara perdida para sempre, uma paz que imaginava a terminar mais tarde ou mais cedo e que podendo, seria sempre mais tarde do que cedo. O carinho dele era uma espécie de anestésico para todas as suas dores, revelava-se muito mais eficaz que o álcool ou qualquer cocktail de químicos que pudesse ingerir. Ele arrancara-a da sua miséria desde o primeiro momento, começou por a fascinar com o embaraço e a meiguice e com a sua ausência nos dias seguintes tinha-a abstraído da rotina. Enquanto se perguntava se o voltaria a ver, nada mais importava, nem sequer a resposta, a dúvida era uma infinidade de oportunidades e de caminhos, uma lufada de ar fresco numa altura em que ela pensava não existir qualquer caminho além da loucura.
“Fala-me de ti. Conta-me quem é a Margarida.”
Perguntou-lhe a determinada altura entre um beijo no pescoço e um gole de vinho.
Ela sorriu ligeiramente, se ele a conhecesse saberia que aquele leve morder de lábio era um tique nervoso e não uma arma de sedução.
“A Margarida… a Margarida é uma mulher de 42 anos.”
À falta de continuação ele insistiu.
“E?”
Ela armou-se com um sorriso dengoso, encurralou-o contra uma das cadeiras e avançou para o seu colo enquanto lhe segredava ao ouvido:
“Já te revelei algo tão íntimo como a idade… para te dizer mais tinha que te matar…”
Margarida começou por beijá-lo… Rodrigo contentou-se com a resposta, tinha bastante de curioso mas de momento tinha muito mais de excitado.

8 thoughts on “margarida #5

  1. Cátia,

    Isso do “hum… homens!”, é indiscutível, mas neste caso, imagina alguém que andou contigo na primeira e segunda classe, imagina que nunca mais viste essa pessoa… não é fácil, além disso acho que ela não lhe contar agora quem é, é apenas uma forma de lhe poder contar mais tarde quem foi…
    O desafio aqui tem sido o escrever e postar e não poder alterar nada nem na história nem neles. por um lado é esse desafio que me dá pica, por outro é muito castrador…
    beijo grande querida!

  2. Hum…«a dúvida era uma infinidade de oportunidades e de caminhos». Para mim, normalmente, é sinónimo de taquicardia… :p
    Quem é Margarida? Já sabemos quem foi, mas daí para a frente é só incógnitas. E eu não sou como o Manteigas, a excitação não me tolda a curiosidade.

  3. Cris,

    Ela estava convencida de que a vida dela tinha terminado. (o porquê… lá chegaremos). Mas para alguém que desistiu, que não tem esperança, quando um vendaval de emoções lhe desfaz o dia a dia, isso é bom. Enquanto se preocupou com o facto de o reencontrar ou não, essa preocupação por si só foi reparadora porque a libertou de outros pensamentos. Não digo em momento nenhum que a curou, isso são outros 500, mas foi uma dormência para tudo o resto. Há dúvidas boas. pelo menos eu acho que sim…😉

    Ah, e tu só não deixas a excitação toldar-te a curioidade, porque não estás sentada naquela cadeira!!!😛

  4. Só se a cadeira tiver assento climatizado, o que me poderá provocar um pequeno momento uau e assim me distrair por segundos da curiosidade…

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