margarida #6

Nas semanas seguintes Rodrigo vinha visitá-la sempre que o horário o permitia e os fins-de-semana, eram invariavelmente passados em conjunto. Faziam amor, aninhavam-se à lareira, passeavam pelo montado quando o sol tímido de início de Inverno os visitava, cozinhavam em conjunto, bebiam vinho e café e às vezes saíam para jantar.
Margarida sempre que podia esquivava-se a ser ela a ir visitá-lo a casa dele, mas chegou a fazê-lo algumas vezes. Numa delas, estava a fumar um cigarro à varanda quando a mãe dele chegou sem aviso.
“Desculpa, não tinhas dito à mãe que tinhas visitas.”
“Não calhou.”
Respondeu ligeiramente nervoso. Não tinha imaginado apresentar Margarida assim, queria que os pais a conhecessem sim, isso já tinha decidido, amava-a, e embora não lho tivesse dito ainda tinha grandes planos para os dois, mas era cedo para a apresentar, talvez quando ele a conhecesse também melhor e pudesse responder ao interrogatório que sabia que a mãe iria fazer.
Margarida apagou o cigarro e entrou para a sala. A D. Teresa, observou-a com atenção.
“Bom dia.”
Começou Margarida com um sorriso afável, para acabar com o silêncio constrangedor. Rodrigo continuou a partir daí.
“Margarida apresento-te a minha mãe, Teresa, Mãe a minha amiga Margarida.”
“Ah! Pronto, bem me parecia que a estava a conhecer, é a Guidinha da Celeste não é?”
Exclamou entusiasmada. Margarida ficou petrificada, com o mesmo sorriso ainda no rosto, como se não o conseguisse descolar da face. Conseguia ver a expressão de Rodrigo, confuso, queria poder negar, queria poder explicar-lhe o porquê de lhe ter omitido quem era, queria ir embora dali, mas manteve-se firme enquanto Teresa continuava imparável.
“Oh Rodrigo, podias ter contado à mãe que tinhas reencontrado a Guidinha, sabes que eu falo tanto na Celeste… Ai desculpe, não a quero aborrecer, fiquei tão triste com o que aconteceu, eu gostava muito dela sabe, tínhamos sido muito amigas quando éramos novas. É tão parecida com ela, só muda o cabelo.”
“Obrigada. É um prazer conhecê-la, a minha mãe falava muito da D. Teresa.”
“Rodrigo, um dia destes tens que a levar lá a casa para almoçar.”
“Depois vê-se isso mãe, nós estávamos de saída, estamos atrasados.”
Rodrigo estava prestes a explodir.
Despediram-se da D. Teresa e quando ficaram sozinhos ele berrou-lhe:
“Porquê?”
“Desculpa, Rodrigo. Não é fácil…”
“Cala-te.”
Interrompeu-a. Sentia-se magoado, traído. Tinha partilhado tudo com ela nos últimos meses, em troca percebia agora não ter recebido nada. Precisava de se acalmar, precisava de silêncio.
“Não sou capaz de te ouvir. Sai!”

11 thoughts on “margarida #6

  1. Pois é! Mentiras têm pernas curtas. Será que a coisa tem conserto?? Não percam o próximo capítulo de Guidinha e Manteigas!!!

  2. Ainda nao li a continuaçao apesar de já o teres escrito… Lendo os comentarios acima diria: “nao podes matar um” afinal… ha sempre que acabar com happy end… ou estou errada? Lembro-me de ouvir isso algures ha uns anos atrás… nao sei…

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