híbridos

Viu-o por acaso, não era seu hábito ir ao café, muito menos àquele café. Entrou e sentiu-se paralisar de imediato. Não podia acreditar no que via. O seu filho adolescente que estava ali, sentado numa mesa a beijar outro rapaz. Demorou apenas alguns segundos a processar a informação e a sair rapidamente pelo mesmo caminho.
Não era uma pessoa preconceituosa, ou pelo menos nunca imaginou ser, mas deu por si a sair a grande velocidade do café já com as lágrimas a correrem soltas. É muito fácil ser-se liberal com os de fora, mas era o seu filho, o seu menino, nunca imaginou sequer que esta fosse uma possibilidade. Não fazia a mais pálida ideia de como abordar o assunto, nem com ele nem com o marido.
Ao longo das semanas seguintes manteve-se atordoada e em silêncio. Amava-o e iria apoiá-lo disso estava certa, mas estava triste não podia negar. Chorava até os netos que não iria ter.
Confusa, evitou o assunto quando ele lhe confessou que estava a namorar, só não foi possível ignorar quando numa sexta-feira entrou em casa e os encontrou aos dois na sala.
“Mãe, esta é a Maria, a minha namorada.”

4 thoughts on “híbridos

  1. Mesmo Maria.😀
    Sabes que todos os dias eu passo ao lado de uma paragem de autocarros e vejo os miúdos que vão para a escola. A maioria nem me parece carne nem peixe… (estou tao velha)

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