encontros

Onze horas. Agarro no telemóvel para poder entreter as mãos. A Maria Francisca foi para a porta mal me viu levantar do sofá. Ela sabe que é hora de ir à rua. Coloco-lhe a trela já no elevador e sinto um certo acelerar do ritmo cardíaco. Nas últimas semanas tenho saído sempre às onze horas. A ele sei que o vou encontrar entretido com um cigarro logo depois da primeira esquina, enquanto o seu rafeiro passeia sem trela. Todos os dias eu acelero o passo para o alcançar e todos os dias ele se deixa apanhar. Todos os dias acabamos a caminhar lado a lado enquanto o Nico mede a Maria Francisca. Todos os dias. Todos os dias lhe observo o anelar, vazio de trela. Todos os dias o deixo no mesmo local, na volta, acelerando o passo deixando-o para trás enquanto dobro a esquina. Todos os dias avançamos só um bocadinho naquela ida nocturna à rua. Todos os dias o sei casado, não que isso me importe…

4 thoughts on “encontros

  1. O Nico mede a Maria Francisca e os donos medem-se uma ao outro. Muito bom. Agora sou eu que te digo: já tinha saudades de te ler!

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