terapia

Deitei-me sobre a água e sem resistência deixei-me submergir. De lado ficaram as batalhas diárias, entregando-me àquela água aquecida pelo sol.
Exposto apenas o rosto. Os olhos abertos a contemplar o céu. Um céu maior, vestido de azul forte salpicado de algodão. O vento sem poder agredir-me o corpo submerso vingava-se rodopiando as nuvens brancas. Primeiro apenas vultos misteriosos, depois, no momento seguinte descodificava um objecto que logo em seguida se esbatia para dar lugar a outro e outro e outro. Numa inconstância que conheço tão bem.
Nos ouvidos afundados apenas o silêncio, a calma inventada no instante e as batidas do meu próprio coração numa vibração cada vez mais espaçada. Tum, tum… tum… tum…   tum…     tum…
E num passe de mágica, a minha natureza turbulenta transbordou para a água e perdeu-se no mundo, talvez arrastada pelo vento, acolhida num farrapo de algodão ou simplesmente afogada na água que entretanto me parecia cada vez menos quente.

6 thoughts on “terapia

  1. Existem palavras que nos fazem imaginar… outras… fazem sentir! Obrigada por me fazeres sentir aquele sol, aquele vento sem o ser, aquele algodão fofo se saltita… aquele silencio… que o é dentro de nós. Beijos

  2. Consegui sentir o momento, entrar nele … Que mais se pode desejar quando se descreve algo?
    ( gosto de te ler , não comento mais porque perco mais tempo a preencher campos do que a comentar )

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