que se foda

Ouço a tempestade ao longe. Sinto-a aproximar-se e como qualquer herói corro a defender o forte, não espera, tenho uma ideia melhor. Procuro na mala. Hum… Diazepam. Valdispert ou mentos é parecido e o Xanax larguei-o em parte incerta. Seja então, Diazepam. Servia-me também um copo de vinho, mas é mais fácil trazer lamelas de químicos na mala.
Sinto a tempestade cada vez mais perto. Sinto-me tão leve que temo ir na ventania.
Estou cansada, doente desta gente, numa doença que melhora a cada sexta e se torna praticamente letal aos domingos à noite.
Queria poder ser eu outra vez, sem lamelas de ansiolíticos na bolsa dos tampões. Queria ter coragem de me levantar, sorrir e pedir-lhes o favor de se irem foder. Bater a porta e esquecer o caminho.
A tempestade chega. Dormente como estou mantenho o sorriso na direcção do monitor. É um sorriso fingido, falso como tudo ao meu redor. Nem dou o peito às balas, nem imploro clemência, estou tão leve que um dia destes deixo-me ir na ventania. Que se foda.

6 thoughts on “que se foda

  1. Quando o cansaço nos toma conta da alma… é mais complicado correr e lutar do que se entregar. Mas … não acredito que devia ser assim… só se vive uma vez.. deixar que o tempo nos desgaste a este ponto é estar morto sem morrer… sei-o e desisti… agarrei-me a alternativas… porque não?

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