não fazer nada

Hoje recebi um mail da Helpo com publicidade sobre formação para voluntariado internacional. Internacional não diria, mas por cá, talvez com idosos, porque criancinhas toda gente quer ajudar (e eu caminho para uma velhice solitária, logo, tenho empatia), sempre quis fazer e sempre arranjei desculpas. Falta de tempo, falta de dinheiro para poder ter o desprendimento suficiente, mas a verdade é que é falta de coragem, falta de vontade. É tão mais fácil programar uma transferência. É tão mais fácil fazê-lo como eu faço, recebendo cartas e fotos e enviando em troca uma transferência sem rosto e sem palavras. Sei 2 ou 3 vezes por ano que está tudo bem e consolo-me que sou boazinha. Mas não sou! Sou egoísta! Penso no meu bem estar, no meu umbigo, nas minhas necessidades. Faço-o por mim, não pelo puto que está quase um adulto. Tenho a disciplina de não falhar, talvez para me convencer de que posso manter qualquer coisa até ao fim, por mim, não por ele, não pelos motivos certos. Tenho neste momento todo o tempo do mundo e, confesso aqui (saudades), que quase de certeza voltarei a não fazer nada por ninguém que não eu mesma. Talvez, nem por mim mesma… é tão mais fácil não fazer nada!

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gostas de chá?

Hoje fiz chá de maçã com canela. Fazer chá é uma espécie de ritual calmante. Observei-o por um bocadinho a fumegar no bule, deixei-o libertar o aroma e depois, sem dó, numa crueldade que por vezes apenas em mim reconheço, matei-o, com água gelada. Do armário tirei a caneca verde e servi-o. Sem açúcar. Frio. Como o dia que termina lá fora e que eu apenas observei pela janela. Este ano não houve Carnaval nem samba, houve chuva e frio e a promessa quase inaudível de que as mazelas serão curadas. Talvez as cure com chá. Chá frio, morto às minhas mãos, para me aquecer o espirito.
Volto a servir-me, na ilusão de que me embale na noite e me traga rapidamente um novo dia, de cheiros e paladares e cores e vida…