meias

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Tirei um café e sentei-me num recanto da varanda. Abrigada do vento consigo sentir o sol, suave e quente a confortar-me o corpo. Começo a bebericar o café, lentamente, como se precisasse dele para justificar a minha presença aqui. Ao ar. Noutros tempos teria a desculpa do cigarro, actualmente não tenho desculpas, fico apenas aqui, a esticar o café enquanto a passarada canta a primavera que se adivinha no ar, alheios a tudo o resto. Ouço os carros, ao longe, os que percorrem a auto-estrada que me fere a paisagem. Imagino as diferentes histórias que se cruzam, pela velocidade a que passam, adivinho a todos a pressa de chegar a algum lugar ou a alguém. Dou mais um golo no café. Está frio, como eu o quero. Nem o sol o aquece nem a minha mão branca, que o agarra como uma bóia de salvação. Volto a levar a chávena à boca e termino-o. Tenho os pés frios, lembro-me. Deixo para trás o sol, os pássaros e a pressa dos outros, dos que têm urgência de chegar a algum lugar. Eu? Vou para casa, aqui fora há demasiado ar para eu respirar sozinha… vou calçar umas meias.

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