lixo

WP_20160419_007Hoje acordei cheia de vontade, mas não se preocupem, estou bem, naturalmente já passou!

Ainda assim, abri uma arca que tenho na entrada, que trouxe de outra casa ou de outra vida, não sei bem. Sei que lá dentro havia lixo. Sob diversas formas. Lixo em forma de sapatos e botas, chapéus que amei mas nunca usei. Lixo. Colares e pulseiras que não me lembrava de algum dia ter tido. Lixo em forma de cadernos de colorir e lápis de cor que nunca tiveram dono. Lixo! … e eu, largada em sacos e caixas, feita ganchos e bilhetes de concertos, frases feitas que em tempos expus, mantras sagrados caídos no esquecimento dos dias… números de corridas dum tempo em que correr não era moda e que por isso eu o podia fazer. Lixo… e eu e os que amei em fotos amareladas pelo tempo e pelo fumo dos cigarros que na altura se fumavam em qualquer lado. Almas velhas, sorridentes, perdidas dentro de uma vida que larguei algures.

Transferi-me para gavetas e caixas fora da arca, recantos também eles distantes de qualquer espécie de realidade, de dia a dia, de rotina, de vida. Recantos obscuros. Talvez um dia me resgate dessa forma completa que implica remexer nos baús e tomar conhecimento de mim, talvez simplesmente me esqueça em pedaços soltos pelas gavetas, apanhe os cacos recentes e siga, ainda não sei. Sei que o resto do lixo está dentro de um saco, grande, que será decididamente lixo mal me decida a carregá-lo! E a arca, essa está vazia, pronta a encher de tralha para camuflar a desarrumação.

Hoje acordei cheia de vontade, mas estou bem, já passou… mantenho-me aqui, nesta dormência segura… na frente do pc, a escrever idiotices nas redes sociais!

claridade

Estamos no fim de Abril, mas lá fora o vendaval ignora que já não é Janeiro. O vento ruge e a chuva grossa açoita as janelas. Até a luz do sol, que se esquece que está na hora de se pôr, está envergonhada, como que sabendo que não pertence ao resto do cenário.

Eu estou como a luz do sol. Perdida algures num cenário que me confunde e que não reconheço. E a claridade que pareço ter, não é luz, é reflexo!