janelas fechadas

Estaciono o carro em frente aos prédios brancos e volto a concentrar-me na fita de estore, rasgada, que espreita pelo cimo do estore fechado na janela do rés-do-chão, três metros à esquerda do sítio onde religiosamente te espero.

Os dias estão finalmente a refrescar, visto o casaco que vinha no banco do pendura e abro um pouco da janela. Preciso de um cigarro enquanto te espero e me penso. Hoje discutimos, o motivo de sempre. Acendo o cigarro e dou o primeiro trago, encho os pulmões de neblina, em sintonia com o cérebro.

Nunca vi o estore aberto e a fita, a implorar substituição, sempre me espreitou, dominante na sua fraqueza. Será que não vive ali ninguém ou terão desistido simplesmente da claridade? Às vezes fazemos isso, temos estores avariados que por preguiça ou habituação deixamos de abrir, eu já tive um assim, o meu não fechava, demorei semanas a habituar-me a dormir de estore aberto e depois, muitos meses depois, quando outra pessoa tomou a iniciativa de o arranjar, senti-me de alguma forma destituída de uma claridade que me mantinha alerta.

Mais um trago e um fechar de olhos cansado, é tarde diz a rádio, mesmo antes de me brindar com Joss Stone. “I’ve got a right to be wrong, my mistakes will make me strong, I’m stepping out into the great unknown, I’m feeling wings though I’ve never flown”.

Tu chegas 3 cigarros depois, abres a porta, eu entro e esqueço-me das janelas fechadas e dos estores que não funcionam até amanhã, por hoje vou adormecer aconchegada em ti.

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