ano novo

“Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
– Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
– Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
– O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …”

Mário Quintana 


O ano novo começa assim, pleno de esperança de que as mudanças vão continuar, consolidar-se e fazer de 2018 um verdadeiro recomeço! ❤

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enganos

Tinha meia hora entre os dois comboios, deambulou pela plataforma e resolveu descer, passou pelo primeiro café, depois pelo segundo, nenhum tinha imperial, que raio de gente estranha, desceu outro piso, ajeitando o trolley na escada rolante.

O dia tinha sido esgotante, precisava de uma cerveja. Sentou-se na mesa de todos os dias e pediu uma imperial. Viu-a logo depois, a brincar com o copo entre os dedos. A única mulher sentada, a beber uma cerveja. Brincava com o copo com a naturalidade de quem conhece o gesto. Olhou-o nos olhos quando se percebeu observada, ele(?) desviou o olhar para voltar logo em seguida. Havia qualquer coisa nela que o desafiava.

Olhou-o nos olhos e percebeu-lhe o desconforto, os homens são assim, ficam desconcertados com mulheres que parecem seguras. Terminou a cerveja, levantou-se, ajeitou o vestido azul e foi, tinha um comboio à sua espera, que a levaria mais uma vez a lugar nenhum, puxou o trolley segura no gesto e, sentiu-lhe o olhar a queimar a pele.

Ficou a observa-la até se perder na multidão, havia qualquer coisa naquela mulher de vestido azul que o fascinara, talvez a segurança, se ele tivesse coragem, um dia partiria assim…

Faltavam poucos minutos para o comboio, imaginou-o intrigado sem conseguir desviar o olhar, até que um outro vestido se cruzasse, imaginou-o a sentir pena da sua solidão em viagem e castigou a calçada debaixo do seu salto, ferida com essa imagem…

margem sul

Passei anos a ir para a margem sul todos os dias e nunca me senti atraída pela ideia de viver do lado de lá do rio. Pois é meus amigos, continuo no olho do furacão. Estou já a começar as malas e apesar do frio no estômago, estou cheia de esperança. Sinto-me a voltar a “casa”, realmente a começar de novo, já era tempo… até já. 😉