inícios

Hoje estou assim, com o pulmão cheio de ar e de vontade de respirar, com esperança pela primeira vez em muito tempo e, por momentos feliz, muito feliz. Estou também ansiosa e amedrontada, os recomeços são difíceis, apesar de tão bons… e sim, estou a recomeçar. Segunda-feira começo uma nova aventura, nova cidade, novas pessoas… muitos quilómetros, uma aventura com prazo de validade, 6 meses… e depois (?!), que importa se irá acabar (?!), por agora eu só quero saber de inícios!

Tomás #1

Enquanto não adormeço, vou dando uma espreitadela pela net. O desumidificador ainda está a trabalhar e vai deitando ar seco e um pouco mais quente por cima. O Tomás (o gato) sentou-se na saída do ar. Tipo jarra. Daqui a bocado ainda se avaria o desumidificador e lá me fica o gato com o cú constipado!

Gostava de ter sido eu a escrever isto #1

Detalhes [+18]

O ritmo da nossa respiração, quase que silenciosa, em compasso com o movimento dos nossos corpos buscando, ensadecidamente, um ao outro. Querendo desafiar as leis da física, ocupando o mesmo espaço entre o banco do motorista e o volante. A umidade tomando conta dos vidros, fazendo-os embaçar. E nós, muito mais do que úmidos, nos beijando com a boca e com os olhos.
Um braço meu envolvendo o banco por trás, pra ficar em você ainda mais e o outro em volta da sua cabeça, puxando devagar seu cabelo, deixando você arrepiado. Nossos rostos encaixados um no outro, seus gemidos escapando entre os dentes enquanto eu mordia seu pescoço. E suas mãos… suas mãos que já denunciavam seus pensamentos antes de me tocar, quando, a poucos centímetros de mim, faziam uma pausa pra pensar… me deixando por alguns segundos sem ar. E então seguiam, explorando todos os lugares alcançáveis e imagináveis. De um jeito que só você sabe.

Fui condescendente. A rua era deserta, mas, hora ou outra um farol fazia crescer nossas sombras no banco de trás. Só pro coração acelerar. E a gente ria, sorria, gostando de saber que ia dar pra continuar. E nem nos preocupamos em deixar nossas roupas por perto… A essa altura, já tinha seu gosto na boca, porque a gente começa assim, não é? Eu provando você…

De baixo pra cima, entre beijos e mordidas, arrepiando com os seus carinhos e te fazendo arrepiar. Deixando você bagunçar meu cabelo, e marcar minhas coxas com seus dedos, em cada aperto forte, carimbando suas digitais em mim. É que a gente se encaixa sem esforço, sem roteiro. E quando você está mim, não existe nada fora de nós. Fico submersa ali, ouvindo seus sons.

Dessa vez não teve música, mas a gente deu conta do barulho. Em algum lugar no tempo, ou no espaço, estou ali ainda. No seu colo, sentindo sua pele na minha, olhando pro vidro embaçado e respirando tão ofegante quanto você. Deixando você me abraçar e ganhando um beijo na testa, pensando, satisfeita, no quanto é delicioso fazer você sentir prazer.

desejos para 2016

Querido Pai Natal,

Espero encontrar-te bem de saúde, a ti e aos teus. Nós por cá bem felizmente.
Sei que não és tu que tratas destas coisas dos desejos, mas como não sei quem é o responsável por esse departamento falo contigo. Eras tu ou o São Pedro, mas ando cá aborrecida com ele por não me mandar chuva, e olha, a modos que calhou-te a ti. Vê lá o que podes fazer.
Vou ser muito franca contigo. Tu vê lá se me curas o Zezinho, ando muito ralada com ele, passa a vida a ir visitar um amigo, diz ele que é por causa de uma rapariga, mas o que eu sei é que o armário dele tá cheio de fotografias do tal amigo e de roupas estranhas. Se não o conseguires curar não deixes o meu Libório descobrir uma coisa destas, por muito menos já o ameaçou de lhe dar com uma garrafa no focinho.
Dá também um jeitinho na minha Mj, a gaiata saiu-me ao pai, anda muito mal do intestino. Como sabes ela está-me pra casar pró ano, eu até tremo só de pensar que ela um dia se descuida e o rapaz ainda desiste e lá me fica encalhada. Já agora, se não a puderes curar não deixes o rapaz descobrir isto antes do casamento.
O patrão do meu Libório este ano não lhe deu subsídio de Natal, deu-lhe uns cupões do supermercado, diz que é a mesma coisa, mas não é, eu tinha destinado comprar um penico de loiça, daqueles que não amarelecem com o tempo, porque o balde que o Libório usa de noite já não está grande espingarda. Já o tentei desencardir com tudo, lixivia, detergente, até tentei usar amaciador, podia ser que amolecesse, mas nada. O cheiro resolve-se com sumo de limão, mas o amarelo… tenta lá arranjar-me um penico dos bons.
E agora olha, vou pedir umas coisitas pra mim, coisa pouca, mas apetecia-me assim uns mimos.
Queria umas cuecas daquelas que sobem até às mamas e as empurram pra cima. Não sei o nome, aquilo parece um fato de banho, tás a ver?! Se o meu Libório me vê metida numa coisa daquelas, assim a imitar o pelo dos animais, ai menino, só de pensar nisso até me dá uns calores.
Também gostava de ter umas botas de cano alto como as que o Zezinho tem no armário e uma coisa daquelas de tapar os olhos. O gaiato às vezes é estranho, mas é indiscutível que tem bom gosto.
Além disto é o que já sabes, dá-nos saúde, algum dinheiro em vez de cupões de supermercado e ilumina lá os do governo para ver se nos devolvem os feriados.

Beijinhos à Graciete e obrigada por tudo,

Clotilde Rosa.

Eh pá, até já me estava a esquecer. Fala lá tu com o São Pedro, a ver se vem a chuva que as couves este ano nem cresceram como deve ser pro Natal.

Inspirado aqui

tag: descobrindo novos blogs

O Samokal desafiou e eu aceitei. Não tenho um novo blog, mas é quase como se fosse. 🙂

1. Qual o “porquê” do teu blog?

O primeiro blog foi uma terapia, uma forma de contar ao mundo o que não contava aos meus. Com o tempo percebi que as confissões eram cada vez mais raras, mas que gostava de fantasiar, transformar-me noutros e contar essas histórias que não sendo necessariamente minhas tinham algo meu. O conto nasceu assim, com histórias contadas muitas vezes na primeira pessoa, seja lá quem for essa pessoa.

2. Qual a melhor revelação que o teu blog te fez?

As pessoas, as que vieram e ficaram. O CD que encontrei por acaso e que ficou, embora agora na vida e não no blog. A Cátia, a Cris, a Ana, a Carla, tudo gente que encontrei aqui e que fazem parte importante da minha vida.

3. O que fazes para trazer novos conteúdos para o blog?

Nada. Aqui não há novos conteúdos, apenas devaneios, é um blog maioritariamente de ficção e de inspiração ou falta dela.

4. O que gostarias de alcançar com o teu blog?

Não tenho pretensão de alcançar coisa nenhuma e ainda assim, como disse no ponto 2, já recebi muito. O blog é um exercício de abstração e egoísmo, um desafio para escrever pequenas mensagens, confissões, desabafos, críticas, sonhos, desejos, etc., camuflados. O blog são pequenos nadas absolutamente meus, dos muitos bichos que vivem em mim.

5. O que te leva a seguir um blog/página?

O conteúdo, o tipo de escrita e acima de tudo a personagem que leio no blog e com o tempo a pessoa que se começa a perceber para lá do óbvio.

6. Gostas mais de escrever ou de ser lido?

Gosto mais de escrever. Escrevo essencialmente para mim, até porque uma boa parte do que escrevo, além dos problemas gramaticais, deve ser tão obtuso e desajustado que só eu percebo onde quero chegar. O que não invalida que goste de ter quem me leia e de receber comentários.

7. Qual foi a maior surpresa (boa ou má) que a vida adulta te trouxe?

A maior surpresa é mesmo a vida. Gosto de viver, de comer, de beber, de viajar, de amar. Gosto de viver ponto.

8. Qual é a tua maior paixão na vida?

Tenho muitas, sou de muitos amores.

9. Qual o hábito diário de qual não prescindes?

Sou um bicho de hábitos, mas o maior, que é mesmo um vício é o 1º café da manhã. Fico mal fisicamente sem ele.

10. Se pudesses viajar no tempo, escolhias ir para o passado ou para o futuro? Porquê?

Iria ao passado, por dois motivos, gosto da incerteza do futuro, da página em branco onde tanto posso escrever uma obra de arte como a cagáda do costume, mas principalmente, porque tenho no passado muitas palavras por dizer e muitos abraços que nunca mais poderei dar.